Escrito por Dra. Marcela Martins
Os primeiros relatos da Acupuntura Veterinária foram encontrados por volta de 1600 – 1100 a.C. Nesta época somente os animais que trabalhavam para população eram tratados com acupuntura, por isso, as referências mais antigas e detalhadas eram de eqüinos de montaria e búfalos d’água que trabalhavam na agricultura. Os relatos de acupuntura em cães e gatos apareceram somente em 1826 d.C. na França.
Acupuntura é, sem dúvida, uma das terapias complementares mais testada e avaliada. Para os céticos que questionam os efeitos desta popular terapia complementar, existem muitas informações científicas que demonstram a sua eficácia.
A Acupuntura é uma arte milenar de cura que entende o ser vivo em sua totalidade. Seus fundamentos baseiam-se na Medicina Tradicional Chinesa, a qual compreende a doença ou enfermidade, como manifestação de um desequilíbrio. Para a Medicina Tradicional Chinesa, as desordens surgem e se instalam quando o corpo não está devidamente equilibrado, a idéia do equilíbrio ou harmonia, é a chave para esta forma de tratamento. Sua ação é através de estímulos de pontos reflexos específicos, distribuídos em todo o corpo objetivando reverter, curar e prevenir estados patológicos nos animais, principalmente através da utilização de agulhas, bem como ser uma ciência direcionada à manutenção do equilíbrio e do bem estar dos animais.
Desta forma podemos observar que a base da Acupuntura tanto para animais como para humanos é a mesma, porém existem particularidades que diferem principalmente na realização do Diagnóstico Tradicional Chinês e na localização dos pontos.
Como primeiro exemplo podemos considerar o ponto denominado Bai Hui, que nos animais localiza-se entre a última vértebra lombar e a primeira vértebra sacral; no humano este ponto localiza-se no crânio. No que se refere ao Diagnóstico Tradicional Chinês para animais as diferenças são maiores, pois não existem parâmetros de coloração de face, nível de atividade mental, forma e coloração de lábios entre outros.
Nos eqüinos o diagnóstico baseia-se principalmente na palpação de pontos Shu e Mu (pontos diagnósticos), observação de pele, pêlo, língua, estado corpóreo, atitudes entre outros. Nos animais de companhia (cães e gatos) o Diagnóstico Tradicional Chinês é mais complexo no que se refere ao inquérito feito ao proprietário. Devemos saber sobre preferência de temperatura, superfície (dura ou macia), humor, comportamento, freqüência e altura da vocalização (latido / miado) entre outras.
Ao contrário do que muitos pensam, a introdução das finas agulhas de Acupuntura não causa dor. Existe sim a “sensação da Acupuntura” chamada: De Qi. Esta sensação, que pode ser relatada por humanos que se tratam com a Acupuntura, é sentida como compressão, beliscos suaves, calor e ou formigamento no local que está sendo estimulado, de acordo com a sensibilidade de cada paciente. Nos animais esta sensação é percebida com movimentos de orelha, pequenas contrações musculares, movimentos de cabeça, emissão de sons, tentativa de morder entre outras reações que varia de acordo com a sensibilidade de cada paciente.
Esta terapia é uma ciência e método terapêutico e, pode ser utilizada em conjunto, por exemplo, com a alopatia, homeopatia, fitoterapia, e deve ser realizada sempre por um médico veterinário acupunturista.
O número de agulhas introduzidas por tratamento pode ser de um até vinte e o tempo de permanência varia de acordo com as patologias e objetivos do veterinário acupunturista podendo ser desde a simples punção e retirada, até a permanência de trinta minutos.
Com a evolução da relação construída entre os seres humanos e os animais de companhia os cães e gatos desenvolveram uma importância inquestionável dentro do convívio familiar. A busca por métodos de terapias e tratamentos que possam amenizar, prevenir e curar condições patológicas tem sido cada vez maior.Com isso a Acupuntura entre outras formas de tratamento vem sendo difundida cada vez mais entre os clínicos e proprietários.