Escrito por Dr. Mussi A. de Lacerda
Também denominada pseudociese, falsa prenhez ou ainda gravidez psicológica, onde a cadela passa a apresentar sinais que simulam o comportamento maternal, como se realmente estivesse gestante.
É uma patologia relativamente freqüente e comum nas cadelas e ocorre geralmente 2 a 3 meses após o cio, em decorrência de alterações hormonais.
Durante a ocorrência do processo, o comportamento da fêmea torna-se bastante alterado, onde há inquietação, irritabilidade, auto-amamentação, começa a fazer “ninhos” com objetos como brinquedos, bichinhos de pelúcia ou ainda outros animais; podem ainda ocorrer outros sintomas como vômitos, depressão, anorexia (diminuição ou total falta de apetite), aumento de tamanho das glândulas mamárias com secreção láctea (galactorréia), secreção vaginal e raramente sinais de trabalho de parto.
As alterações hormonais podem ter diferentes causas, como o hipotireoidismo, o uso de anticoncepcionais ou ainda em fêmeas que foram castradas em uma fase do ciclo estral não indicada para tal (denominada diestro), onde os níveis de progesterona estão elevados no sangue.
Para a confirmação do diagnóstico o animal deverá ser criteriosamente avaliado por um médico veterinário, para que possam ser descartadas outras patologias que também podem apresentar sintomas semelhantes como neoplasias (tumores) das glândulas mamárias, processos inflamatórios ou infecciosos (mastites), hipotireoidismo, prenhez verdadeira ou ainda piometrite, que é uma patologia do útero que pode ser de alto risco para a fêmea. Radiografia, ultra-sonografia ou ainda exames de esfregaço vaginal podem ter grande valor ao diagnóstico.
É recomendável o uso de colar elizabetano para evitar a auto-amamentação ou lambedura e sucção, minimizando estímulos que promovem a lactação (produção de leite). Também são indicadas compressas frias e mornas alternadas sobre as glândulas mamárias.
A redução de alimentos por 3 a 4 dias pode auxiliar a redução da lactação.
A pseudociese deve ser considerada normal a todas as cadelas que estejam ovulando e não significa impedimento para o acasalamento.
Poderão ter novas recorrências em cios futuros.
Recomenda-se a cirurgia de castração caso o proprietário opte definitivamente não mais acasalar a cadela e o procedimento cirúrgico deverá ser realizado na fase de anestro, que em condições normais ocorre de 2 a 3 meses antes do próximo cio previsto.
A cirurgia durante a ocorrência do processo não é indicada, pois os níveis do hormônio progesterona estarão aumentados e só iriam prejudicar ainda mais a saúde da cadela e não aliviariam os sintomas.
O tratamento deverá ser instituído pelo médico veterinário após avaliação clínica.
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