Escrito por Dr. Mussi A. de Lacerda
O hipotireoidismo canino caracteriza uma desordem endócrina estrutural e/ou funcional levando a uma deficiência na produção dos hormônios tireoideanos. Essa enfermidade pode ser classificada em:
Hipotireoidismo primário: é determinado pela destruição do tecido glandular da tireóide, ocasionado por diversos processos patológicos, cuja incidência pode chegar a 95% dos casos clínicos e a maior prevalência se dá em cães adultos. Dentre esses processos patológicos podemos citar as neoplasias (tumores como os Carcinomas de tireóide), atrofia folicular idiopática (de causas desconhecidas) onde há perda de tecido glandular ou ainda pela remoção cirúrgica da tireóide em conseqüência da formação de nódulos ou neoplasias.
Existem ainda outras formas, dentro da classificação, de pouco interesse para o entendimento da enfermidade pelo leitor.
Sinais Clínicos: os hormônios tireoideanos são muito importantes e necessários para a manutenção da normalidade das funções metabólicas do organismo e a severidade das manifestações clínicas depende do tempo e do grau de deficiências dos hormônios.
Alterações metabólicas: os sinais clínicos mais evidentes são letargia, inatividade, ganho de peso sem o aumento do apetite, intolerância ao frio (o animal procura locais mais quentes), intolerância aos exercícios, além da constante expressão de cansaço.
Alterações dermatológicas: as alterações de pele são os achados mais comuns de serem observados e estão presentes em cerca de 60% dos casos de hipotireoidismo. Os achados incluem pele seca, alterações na qualidade da pelagem (pelos quebradiços), na cor, além de falhas (alopecias) que podem ser uni ou bilaterais. Podem ainda ocorrer secundariamente, seborréia seca ou oleosa (descamação, formação de caspas), otite externa crônica e piodermites superficiais.
Alterações neurológicas: podem ocorrer neuropatias periféricas como ataxias, paralisia do nervo facial, paralisia laringeal, andar em círculos e fraqueza.
Podem ainda ocorrer alterações reprodutivas, muito embora tardiamente, como os intervalos prolongados entre cios, falhas no cio, cio silencioso, perda de libido, atrofia testicular, galactorréia (presença de leite nas mamas), ginecomastia (aumento de tamanho da glândula mamária) e oligospermia (diminuição na produção de espermatozóides).
Diagnóstico: o diagnóstico deve ser feito a partir de um exame clínico detalhado, uma anamnese completa (buscando o maior número possível de informações dos proprietários), além de exames laboratoriais específicos (dosagem hormonal da função tireoideana) como o T4 total, T4 livre e TSH (hormônio tireoestimulante), que deverão ser encaminhados pelo médico veterinário clínico.
Tratamento: após confirmado o diagnóstico, o médico veterinário deverá instituir a reposição hormonal, bem como o ajuste da dose e a freqüência ideal para a manutenção do tratamento, que irá variar para cada paciente.
Médico VeterinárioArca de Noé Hospital Veterinário
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