Escrito por Dr. Mussi A. de Lacerda
É uma enfermidade que atinge o homem e os animais; é transmitida por um mosquito (flebótomo), de difícil controle, pois sua multiplicação ocorre de forma acentuada com a deposição de seus ovos em matérias em decomposição como folhas, frutos, matas e lixo e daí a grande dificuldade em controlar o “vetor” da doença.
A forma de transmissão somente ocorre através da picada do mosquito em um animal portador e ao se contaminar irá picar outros animais e também o homem.
Existem duas formas de Leishmaniose, a “cutânea” ou tegumentar e a “visceral”. A forma cutânea causa ferimentos na pele, hiperqueratose (intensa descamação da pele), com seu adelgaçamento, despigmentação e ressecamento do focinho e dos coxins (almofadas das patas); a pele fica bastante ressecada, os pelos quebradiços e com falhas por suas perdas. Em cães ainda pode ocorrer o crescimento exagerado das unhas, além ainda de nódulos intradérmicos e úlceras na pele.
Já a forma “visceral”, muito mais grave caso não seja realizado o diagnóstico e o tratamento rapidamente, pode levar o animal a óbito, pois compromete órgãos vitais como fígado e baço, que aumentam muito de volume deixando o animal com o abdômen bastante aumentado, embora continue emagrecendo mesmo se ainda tiver apetite. Sinais de insuficiência renal também ocorrem e podem ser o fator determinante do óbito (vômitos, diarréia, poliúria e polidipsia (aumento exagerado da ingestão de água e também do ato de urinar), além de sangramento nasal); outros sinais ainda podem ocorrer como a inflamação dos linfonodos (gânglios), de nervos, músculos, articulações e quase que na maioria dos casos a febre está presente.
A Leishmaniose é uma doença de altíssima importância na Saúde Pública, daí ser de “notificação obrigatória” aos órgãos competentes de Saúde Epidemiológica quando confirmada através de exames laboratoriais, daí a importância de se procurar os serviços médicos quando houver qualquer suspeita da enfermidade em humanos, para que seja iniciado o tratamento o mais rápido possível, pois quanto mais o tempo passa mais o organismo sofre espoliações e fica debilitado podendo não suportar o tratamento que tem forte toxicidade.
No Brasil o tratamento é proibido em cães, pois não há ainda medicação específica e o uso de medicamentos humanos é proibido aos animais; na Europa o tratamento aos animais é realizado na rotina clinica dos médicos veterinários.
Infelizmente os cães positivos para Leishmaniose deverão ser eutanasiados.
A prevenção é a melhor forma de se controlar o crescimento da enfermidade, ao menos no que esteja ao nosso alcance, como evitar ambientes favoráveis à reprodução dos mosquitos (limpando terrenos baldios, secando áreas úmidas, não deixando folhas e frutos caídos no chão para que não entrem em decomposição). Usar inseticidas apropriados para o extermínio dos insetos.
Para os humanos ainda não existe vacina para a prevenção e para os cães já existe uma vacina contra a Leishmaniose Visceral, cujos resultados apresentados pelo laboratório, são excelentes. Procure orientação veterinária para a proteção de seu animal e de sua família. Visite regularmente o profissional veterinário de sua confiança.
Dr. Mussi A. de Lacerda
Médico Veterinário - CRMVSP 3065
Arca de Noé Centro Médico Veterinário
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