Compulsão alimentar – um corpo que sofre

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Você não deve ter ouvido falar deste nome: "Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica ou Binge Eating Disorder - BED", mas é bem provável que você conheça alguém com estes sintomas:

A pessoa ingere, em um período limitado de tempo (por exemplo, por duas horas) uma quantidade de alimento muito maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período similar. Durante este, tempo há um forte sentimento de falta de controle sobre o que se come e o quanto se come - não consegue parar de comer. Come muito mais rapidamente que o normal e come até sentir-se incomodamente repleta. São grandes quantidades de alimentos. Pode ocorrer quando não se está com fome. Logo após esta ingestão excessiva, a pessoa sente repulsa por si mesma, acentuada angústia relativa a compulsão, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente. A compulsão periódica ocorre pelo           menos dois dias da semana, durante seis meses. Pode ocorrer ou não a indução de vômito logo após a ingestão excessiva de alimentos.

Apesar deste transtorno parecer atual aos olhos de uma sociedade que visa o magro como o belo, suas primeiras descrições datam do século XV e era um sintoma que podia estar presente em diversos transtornos. Enquanto comportamento observado entre obesos, foi descrito pela primeira vez em 1959. Hoje, observa-se um número relevante de pessoas com este transtorno, das quais poucas procuram o tratamento psicológico adequado. Algumas por não o considerarem um problema "de verdade", outras pelo sentimento de vergonha e culpa, por não possuírem o tão sonhado (e ilusório) "controle sobre suas vontades".

A cobrança por um comportamento mais rígido, dietas ou privações alimentares é uma constante nos pensamentos destas pessoas. Acham-se incapazes e            fracas, e forçam-se a iniciar esta ou aquela dieta constantemente, mas suas tentativas acabam sempre resultando em um novo ataque de compulsão, trazendo novamente a culpa, tristeza e frustração.

Estas pessoas acabam gastando muito dinheiro na aquisição de comida, e um grande período de tempo na sua ingestão. O que aumenta ainda mais o sentimento de culpa. A vergonha gerada pelo comportamento faz com que se coma escondido, gerando um certo isolamento, que resulta em um sentimento de solidão.

Aquelas que sofrem de compulsão alimentar não têm outra maneira de lidar consigo mesmas e com a vida. Os ataques de compulsão são como alarmes que indicam que não se encontram em "sintonia", e acabam não sabendo qual sinal devem seguir, se é o da cabeça ou do estômago.

A Psicoterapia é o caminho mais seguro para controlar e tratar estes ataques. Deve-se trabalhar os sentimentos que levam a comer desta maneira. Geralmente, estes sentimentos estão ligados à carência, dificuldade auto-afirmação, medos de todos os tipos, pensamentos compulsivos, timidez, falta de confiança em si mesmo, baixa auto-estima, falta de autonomia, solidão, rigidez, entre tantos outros que variam de pessoa para pessoa. Devem reconhecer sua fome maior não é em relação à comida em excesso, mas sim fome de vida, de amor, reconhecimento, vitalidade, alegria, jovialidade e mudança; conhecendo assim suas próprias necessidades e desejos. Principalmente devem aprender a ser solidárias consigo mesmas e usar o tempo gasto com a comida e com a culpa para viver, de maneira mais feliz e tranqüila.

Psicóloga

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