Preconceito

Quando olhamos e analisamos o outro, tomamos como base o que somos. Precisamos sempre de um elemento de comparação, e nós somos o mais próximo. Quando aparecem pessoas ou situações que são muito diferentes do que somos acostumados, primeiro estranhamos, e depois poderemos agir de forma a entender este diferente ou já o jogamos para longe de nós, preconceituando. Então, não acolhemos nem entendemos o que for diferente de nós, e sim o colocamos como errado pelo simples fato de ser diferente. É assim que nasce o preconceito.

Toda vez que existe o preconceito existe o não conhecimento, a ignorância. Preconceito é o juízo, a idéia preconcebida, não entendida. Ou seja, vejo algo, não entendo e faço um conceito – é um desconhecimento pejorativo de alguém ou alguma coisa que lhe é diferente. Existem preconceitos por pessoas, raças, escolha sexual, povos, culturas, religiões, lugares, tradições, classe social, trabalho, por onde olhamos existe alguma forma de preconceito, velado ou não.

Depois de olharmos o outro como diferente, partimos para a generalização, ou seja, entendemos que todos que fazem parte daquele grupo são iguais. Por exemplo: todos que moram nos Estados Unidos são iguais, todos que torcem pelo Corinthians são iguais, todas as mulheres são iguais, todos os alemães são rígidos, todos os americanos são arrogantes, todos os baianos são preguiçosos, toda loira é burra, e por aí vai. Não é levada em conta a individualidade e a originalidade de cada um. Com este pensamento errado define e limita o outro. O preconceito aparece então tanto de forma explícita como de forma socialmente aceita, como as piadas e brincadeiras, limitando e categorizando o outro como diferente e errado ex.: as piadas sobre negros, judeus, homossexuais, etc. Até em peças de teatro, filmes e televisão existem os esquetes brincando com o preconceito, cultuando tipos que generalizam e continuam alimentando o preconceito.

Outra forma motivadora de preconceitos é o medo. Por temermos, criticamos. Por exemplo: não ir a um bairro mais afastado por medo de assalto e preconceituar as pessoas que moram lá. Outro exemplo: ter medo de conhecer outras formas de religião e criticar, isto é muito percebido em religiões espiritualistas e afro-culturais, como a umbanda e o candomblé. Ter medo de visitar um doente por medo de lidar com a própria possibilidade de um dia também ficar doente e agir com preconceito; isto é muito percebido com relação a pacientes de hospitais psiquiátricos, ou com AIDS ou em asilos. Como se o preconceito pudesse afastar a doença ou a velhice.

Além da critica, outras formas de exprimir o preconceito são o riso e a pena. O riso vem expresso nas piadas, no estereótipo pronto que são usados para zombar. Vocês já perceberam que sempre imitam os homossexuais da mesma forma? Generalizando, estereotipando e preconceituando. E os judeus também, os árabes, nas piadas de português sempre se chamam Manoel e Maria e falam sempre da mesma forma. Nós vivemos uma era de globalização, onde as cabeças se abriram para muita coisa, mas em tantas outras o ser humano ainda age como um primata (se bem que, acho que nem os primatas têm preconceito).

Eu pergunto: se estamos lidando com preconceito com alguém por ser diferente de nós, quem disse que nós somos o certo? O que faz uma pessoa que critica o outro por ser diferente achar que só ela é a certa?

Para lidar com este mal, precisamos lidar com a nossa ignorância. Aprender mais, crescer mais, conhecer mais. Só assim entenderemos que vivemos numa diversidade – ainda bem – e que é aí que mora a beleza. Podemos conviver com muita coisa diferente e nova, pois é assim que recebemos o estímulo necessário para o nosso crescimento. Ninguém cresce ficando no mesmo lugar, precisamos da proximidade e da compreensão do novo e não do afastamento dele.

Imaginem se você entrasse na escola e visse sempre a mesma coisa, ano após ano. Não aprendesse nada de novo, repetisse sempre o primeiro ano até seus 15 anos. O que você ganharia? Quanto você cresceria? São os desafios novos que empurram para o crescimento. Pense então quanto crescemos quando vamos viajar e conhecer um lugar distante, com uma cultura estranha. Lá o diferente somos nós e precisamos nos adaptar a esta realidade diferente. Como vamos agir com preconceito se o diferente ali somos nós? Abrir a mente. Crescer. Este é o mais eficaz antídoto para o preconceito.

Como dizia Diderot: “A ignorância fica tão distante da verdade quanto o preconceito”.

Psicóloga Clínica

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