Nomofobia

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A sociedade do prazer e do espetáculo é carregada de algumas patologias um tanto bizarras. Neste texto busco refletir acerca de uma das mais jovens doenças ingressas na turma da CID10 (Classificação Internacional das Doenças) a: nomofobia. Mas antes, acredito que é relevante uma pequena introdução para facilitar a compreensão da instalação da patologia.

Em termos psiquiátricos a história pregressa da doença. Imaginemos o nascimento de um bebê. Durante o seu desenvolvimento, ainda no ventre da mãe, é comum observarmos as expectativas e os planos dos pais: será menino ou menina? Qual o melhor nome e sobrenome? (Neste item poderão ocorrer divergências entre os pais). Será saudável e perfeito? (Esta questão na maioria das vezes é sublimada, verbalizar é chamar o infortúnio). Em alguns casos a preocupação estará no auxilio reclusão, o pai encarcerado valerá quase dois salários mínimos. E o quarto do bebê? Terá babá eletrônica? Afinal é necessário ouvir o choro do bebê. Caixinha de música? TV com DVD? Alguns pais mais infantilizados já compram uma bicicleta antes mesmo do nascimento do filho. O bebê cresce, e, é exposto a cada dia a brinquedos com os quais não se brinca, a criança observa passivamente os brinquedos espetaculosos, sua contribuição na brincadeira é somente: ON – OFF, o gozo é visual. Na mais tenra idade surge o aparelho celular, observamos crianças com dois ou três anos manipulando-os com propriedade de adulto. Depois ocorre a transição para a maturidade: o adolescer. Nossos jovens são bombardeados com um frenesi de choques viciantes, que desencadeiam doses cada vez mais altas de adrenalina: a tela e todos os seus tentáculos. A metralhadora audiovisual vem substituindo miseravelmente as relações reais, o afeto e a família. Agora estamos prontos para compreender a nova doença da Pós-Modernidade: a nomofobia. Nomofobia é uma nomenclatura inglesa que rotula milhares de pessoas que entram em profundo estado de desespero e angústia quando se encontram longe de seus aparelhos de telecomunicação. Se antes as crianças desenvolviam febre ou dor de barriga para expressar a angústia da falta dos pais, atualmente ocorre uma crise abstêmica se houver a interrupção tecnológica. Os Nomofóbicos ou ‘Homo Demens’ são escravos de seus aparelhos mágicos. A cada instante é um modelo novo a ser conquistado, interrompem refeições, peças teatrais e até pasmem: o ato sexual, para atenderem os chamados tirânicos dos aparelhozinhos que brincam com a onipresença. Para crianças e jovens é apresentada a tecnologia desenfreada e para os nomofóbicos são sugeridos os ansiolíticos. Bem vindo(a) a Era Digital.

Psicoterapeuta Corporal Neo-Reichiana e Musicoterapeuta.

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