Escrito por Dilma Souza
Sistema Biodança criado pelo Antropólogo, Psicólogo, Professor Rolando Toro Arañeda, que visa ao desenvolvimento humano e à renovação existencial, baseia-se no aprofundamento da consciência de si mesmo e na elevação da autoestima. No trânsito regressão-progressão, através da combinação exercícios-gestos, música-emoção, ativa-se o núcleo afetivo, promove-se a integração entre sentir-pensar-agir, indivíduo-espécie, desenvolvendo assim, um compromisso com a VIDA.
Biodança é um convite à alegria de viver!
BIO – Vida numa perspectiva poética do encontro.
DANÇA – É o movimento profundo que surge das entranhas do ser humano. É o movimento de vida, ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração, impulso de vinculação com a espécie; é movimento de intimidade; sai do mecânico para a busca do pleno significado de cada gesto.
O alcance do Sistema Biodança é tão abrangente quanto o perfil do seu criador, o chileno Rolando Toro Arañeda, que nos anos 60 trabalhava num hospital psiquiátrico do Chile, atuando ainda na Faculdade de Antropologia Médica, despertou para uma experiência sobre o efeito da música nos pacientes; daí, delineou o primeiro eixo do modelo teórico da Biodança, ou seja, um trabalho de expansão da consciência de si, através da sensação corporal: “enquanto algumas músicas aumentavam a clareza do pensamento e consciência corporal, outras faziam o paciente delirar horas”. (Toro) A força e a delicadeza do ser humano (percepção da sensação corporal) passa também pela regressão, retorno à origem, no trajeto entre o aqui-agora e a memória que pode levá-lo às etapas uterinas, refazendo o percurso sendo recebido de um jeito novo – Cerimônia de Renascimento.
Partindo da Antropologia, Rolando observou as diferentes culturas, vendo o que era mais inato e instintivo no ser humano e, ao mesmo tempo, o que se tem de mais agregado à sociedade, dando, assim, um efeito quântico ao seu trabalho.
A Biodança mostra através de exercícios simples, o caminho da determinação e suavidade, desaparecendo o conflito entre o ativo e o passivo. Revela o equilíbrio entre a ação, o repouso e a entrega. O grupo possibilita o olhar para o outro, o que socializa e eleva a autoestima. Favorece a integração motora, o movimento, buscando uma condição mais livre de expressar a emoção.
Nas sessões de Biodança acontece um verdadeiro resgate aos potenciais que temos e estão adormecidos, ou foram reprimidos no decorrer da nossa vida, numa forma de educação rígida ou com poucos estímulos.
Atuando numa reeducação para melhorar a qualidade de vida, a Biodança desenvolve cinco linhas de vivências como expressão dos nossos potenciais genéticos:
Vitalidade – é o ímpeto vital, a energia que precisamos para enfrentar o mundo. O potencial de harmonia e equilíbrio. Convite ao movimento.
Afetividade – é o amor indiscriminado pelo ser humano, o útero afetivo que cada um tem e que lhe permite dar e receber. Convite à nutrição.
Criatividade – é a renovação que se deve dar à própria vida. Criar a si mesmo dando sentido a cada gesto. Convite à inovação.
Sexualidade – a capacidade de sentir desejo e prazer de viver. Convite ao contato.
Transcendência – é a conexão plena com o cosmo e com a criança divina. Convite à harmonia com o ambiente.
A essas linhas de vivência são orientados exercícios simples. A linha da vitalidade, inclui caminhadas visando a ampliar a capacidade respiratória. Na afetividade, temos o olhar nos olhos; isso melhora a forma de comunicação, o conhecer e o saber que se passa com a outra pessoa. Assim, há a possibilidade de colocar-se no lugar do outro, num gesto de acolhida, mostrando ao outro que “eu sou” único e também, “eu sou” igual. Então, vai propiciando a recuperação da humanidade e vinculação com a espécie. Nos exercícios na linha da criatividade, temos um convite à expressão; tudo que se sente é legítimo; é a oportunidade de recuperar a espontaneidade, a sinceridade e de mostrar o sentimento: chorar, rir, brincar... Sem medos. Os exercícios na linha da sexualidade têm como objetivo descobrir o corpo como fonte de prazer. A linha da transcendência começa nos primeiros passos da vinculação com o outro, no olhar um pouco mais longe, ampliando o horizonte, o compartilhar da vida com a vida, o poder de se sentir um ser de luz. Todo ser humano pode ser pleno.
Fonte: Jornal Corpo Mente – Feira de Santana, maio de 2002.
Massoterapeuta, Facilitadora de Biodança