Escrito por Dra. Zélia Beatriz Ligório Fonseca
Na edição de maio, falamos sobre a importância da futura mamãe se preparar para a chegada do seu bebê, assim que tiver certeza de sua gravidez. Cuidar da pele do bico do seio, cuidar da própria alimentação e cuidar do ambiente ao seu redor.
Neste artigo, falaremos sobre uma situação que todos sabem e já ouviram, mas, que queremos reforçar: A importância de amamentar!
O colostro é o primeiro leite que produzimos e é de extrema importância para a saúde física do bebê, é rico em proteínas, gorduras e anticorpos e tem aspecto amarelado. Em 2 ou mais dias, adquire uma coloração mais esbranquiçada e um aspecto menos denso. Este já é o leite propriamente dito.
Ao receber esse rico alimento, a criança recupera rapidamente o peso perdido nos primeiros dias de vida e fica protegida contra um grande número de viroses, infecções bacterianas e alergias. Ao contrário, aquelas que recebem leites não maternos, aumentam em 14 vezes a chance de ter diarréia, 3 vezes mais casos de infecção respiratória e lógico, aumentam em muito os casos de alergia. A médio e longo prazo devemos pensar na amamentação artificial como causadora de cáries, obesidade, doença celíaca, defeitos ortodônticos, diabetes, arteriosclerose e piora da qualidade de vida da criança e da família. Mulheres que amamentam têm menor chance de desenvolver câncer de mama.
Ser amamentado, com dedicação, traz tranqüilidade e conforto para a criança, e ajuda beneficamente no desenvolvimento da personalidade e da auto estima.
É o primeiro exemplo de dedicação, doação, altruísmo que recebemos, e o mundo individualista em que nós e nossos filhos vivemos, precisa muito desse tipo de exemplo.
O ambiente para amamentar deve ser tranqüilo, deve ser um momento de entrega total, considerado como algo sagrado. Algumas pessoas dizem que são agitadas por natureza e não querem fazer desse jeito. Tudo bem é uma escolha individual. Só estamos mostrando o modo ideal. Lembre-se que a auto educação é uma das nossas tarefas constantes. Imagine-se tentando se concentrar enquanto alguém fala freneticamente ao seu lado, ou se estiver tocando um roque ou mesmo uma polca em alto volume. Eu para falar a verdade até tento, mas tenho de gastar tanta energia para isso que acaba sendo um esforço muito desgastante!
Então agora pense num bebê que estava tão protegido dentro da barriga, que ouvia o som rítmico das batidas do coração da mãe e imagine se ele terá condições de se alimentar bem num ambiente agitado? Claro que eles se adaptam, é uma das peculiaridades do ser humano. Mas com certeza essa energia perdida a mais, lhe fará falta em algum momento de sua recente vida.
Muitas mães se queixam de não ter tido leite e por isso não amamentaram. A maior causa da falta de leite é a ansiedade, o stress e o cansaço. Faça relaxamento, técnicas de meditação, converse com mães que estão amamentando. Tire alguns cochilos enquanto o bebê também dorme. Não há por que se angustiar, é só deixar a natureza agir.
Não amamente pensando no que você ainda tem para fazer, não é bom para você nem para o bebê. Isso estressa e gera ansiedade.
Lembre-se, temos de fazer escolhas e de nos manter em nossas prioridades, isso é coerência! Se a sua escolha é ter um filho com saúde agora e no futuro, amamentar é um ótimo investimento. Se sua escolha for ter um filho, mas não abrir mão de crescer profissionalmente, financeiramente, materialmente, agora no primeiro ano de vida do bebê, é muito provável que seus gastos futuros com médicos, psicólogos e terapeutas sejam consideráveis.
Outra coisa a se dizer é que nos primeiros dias de vida, a criança não mama todo o leite produzido pela mãe. Isso gera um excesso, um inchaço das mamas e muitas vezes desconforto podendo dar lugar a uma mastite.
Deve ser feita uma ordenha (retirada do leite) manual ou por meio de máquinas elétricas ou a pilha, vendidas em lojas especializadas. O leite retirado deve ser armazenado em recipientes de vidro limpos e esterilizados e guardado no congelador por até 15 dias. Se não for utilizado pelo seu bebê, pode ser doado ao banco de leite onde será esterilizado e ajudará a salvar a vida de muitos bebês prematuros.
Bom, e até quando amamentar? O leite exclusivo deve ser dado até no mínimo seis meses de vida. Mães que trabalham devem armazenar seu leite a partir dos três meses (antes que termine a licença maternidade) ou até antes, para que este seja oferecido à criança, caso o estabelecimento não ofereça condições da mãe amamentar no local de trabalho ou ir até onde está o lactente. Apesar de garantido por lei, não é o que se vê na maioria das vezes. A amamentação não exclusiva deve prosseguir dos seis meses, com a introdução dos primeiros alimentos, até os dez ou doze meses dependendo da criança e do seu histórico. Se não há o perigo de desnutrição ou contaminação patológica dos alimentos por falta de saneamento básico, levar uma amamentação por maior espaço de tempo pode levar a uma ligação exagerada entre mãe e filho (própria de tribos e clãs) e a uma dificuldade e atraso do amadurecimento psicológico. Também porque a criança já tem seus primeiros dentinhos e começa a mordiscar a mãe e, além disso, a criança fica cada vez mais atenta e consciente do que quer (dentro dos limites da idade) e leva mais tempo para desacostumar-se ao peito arrastando o período de desmame, causando angústia e sofrimento na mãe que acaba se sentindo culpada e voltando a dar o peito após uma grande seção de birra, choro e olhinhos cheios de lágrimas.
Mas tudo também nisso é relativo, um filho é diferente do outro. Depende muito do que queremos, no que acreditamos e do apoio e orientação que recebemos. No mais é ter amor de sobra para dar, muita paciência e ter certeza que estamos fazendo o melhor.
A todos, paz e saúde!
Pediatra – Prática Médica Antroposófica