Homeopatia - Entrevista

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Eu sempre quis fazer medicina, desde os tempos de colégio. Achava que gostava de agronomia, mas, a medicina estava muito acima e eu a encarava, como ainda encaro não pelo título de médico, mas como uma missão a ser cumprida onde você é um instrumento de cura e poder ajudar os outros. Quando uma pessoa fala que está curada, que melhorou, isto não tem preço. Não é pela ciência em si, mas pela missão a ser cumprida. A  homeopatia veio bem depois. Eu me formei em 78, fiz dois anos de clínica médica e naquele período era cobrado quanto a escolher uma especialidade. Eu teria que optar por gastro, nefro, cardio, pneumo, qualquer coisa e eu dizia: “ meu Deus do céu com um ano, dois de formado como é que eu já vou me especializar  tendo tanta coisa para aprender.” Ai em 84, 85 comecei a fazer um curso de homeopatia. Maria Cecília minha esposa tinha feito um ano antes, ela fez em 83, 84. Ai quando eu comecei eu pensei: “este é o verdadeiro sentido de cura, esta é a filosofia de cura, não a cura pelos contrários como a medicina ensina mas a cura pelos semelhantes.”

O senhor usa a homeopatia unicista?

Bem eu fiz o curso na Associação Paulista de Homeopatia, com o título de Especialista, que era uma escola unicista (Linha terapêutica da homeopatia que preconiza a administração de um só remédio, e que visa, basicamente, à identificação do paciente e do remédio que lhe corresponde, mediante o princípio da similitude), bem radical. Hoje apesar de só fazer homeopatia eu não uso o unicismo porque que não é tão prático quanto o outro lado da homeopatia onde você usa dois, três, quatro  remédios e o alívio é muito maior. Eu sempre separo os homeopatas em dois tipos aqueles que usam a ciência da homeopatia mesmo, ou seja, a cura pelos semelhantes e aqueles que estudam o miasma que é uma coisa mais profunda. Eu sou desta parte e eu realmente separo a homeopatia em duas. A do primeiro casamento de Hahnemann e a do segundo casamento. A primeira mulher dele gostava dele mas não o incentivava, talvez por não acreditar achava que ele fazia ou por achar que ele era louco. O certo é que ele não teve estímulo através dessa mulher. Quando ela faleceu ele casou-se pela segunda vez, já bem idoso, com a Melanie que foi o grande amor da vida dele e ai a coisa deslanchou. Ai ele começou a falar em miasmas, em coisas mais profundas mais místicas que é o verdadeiro sentido de cura.

O que é exatamente o miasma?

Miasma é o verdadeiro sentido da cura. É um assunto extremamente profundo e interessantíssimo e que vira completamente a cabeça da gente. É aquilo que se transmite, que se herda.

É Familiar?

Entre aspas seria aquilo que a Igreja chama de “Pecado Original”. É aquele mal que se passa de geração para geração e o Samuel Hahnemann dizia que o coito impuro, que nada tem a haver com relação sexual antes do casamento e, sim com uma criança ser gerada através de um relacionamento desarmonioso entre o casal, vai gerar uma criança espiritualmente sem saúde. Se ela for gerada só para salvar o casamento em uma situação em que os pais estão drogados ou embriagados, ela pode nascer problemática, pode ficar doente e talvez até morra cedo. Existe o miasma da pessoa, de locais, locais mais positivos, mais negativos e do planeta que estamos vivendo agora e que coincide com o que João Evangelista diz no Apocalípse.

Eu posso usar o termo emanação quando eu falo de miasma?

Pasteur tinha uma frase muito famosa que definia o que era miasma, que seria assim: a suscetibilidade, a predisposição numa frase em que ele dizia: “o importante não é o germe o importante é o terreno”. Não são os vírus e as bactérias os assassinos, mas é o terreno que vai estar propício para que essas bactérias e vírus se desenvolvam. O Ramatis tem uma frase mais bonita ainda que diz: “não é o bacilo da tuberculose que é virulento, mas a energia negativa que o tuberculoso cria em torno de si próprio que faz com que o bacilo floresça”. Quer dizer é o terreno, é a predisposição. É a mesma coisa que você jogar um vírus numa sala de aula que tenha trinta crianças. Com a maioria delas não vai acontecer nada e uns três ou quatro vão apanhar o vírus da gripe. Um vai ter meningite e morrer. Existem os indivíduos que nascem com certas predisposições e o mal passa de geração a geração. Existe um ditado que diz assim: quando uma coisa é herdada geneticamente, materialmente, isso pode ir até três gerações, agora, quando o mal é gerado de forma mental e espiritual ele pode ir até sete gerações.

Sífilis, por exemplo?

Exatamente. Hoje você pega um exemplo aqui mesmo em Ribeirão Preto de miasmas de famílias aristocráticas, barões do café, usineiros, que levavam uma vida social aparentemente saudável, mas que viviam relações perversas e corruptas. Hoje você vê descendentes cinco, seis, sete irmãos todos fazendo tratamento psiquiátrico, com depressão, propensos a suicídios, com arteriosclerose precoce. Você vê locais, parece superstição mas é fato, que são mais negativos. Isto não tem nada a ver com espiritismo em si, mas assim lugares que ficam encalhados, que dão trabalho, que estão sujeitos a catástrofe, que tem que passar por um processo de depuração paulatino, e às vezes, isto dura duas, três, quatro gerações.

Daí a importância que os chineses dão aos ancestrais?

Não só os chineses mas os orientais. Ai é que nasce o ditado: “Os filhos herdam os pecados dos pais”. Hoje nós estamos vivendo o produto do miasma das doenças venéreas em zonas de prostituição. Antigamente era muito comum, não sei quem inventou essa tolice, essa burrice, de que o homem para se casar precisava ter experiência sexual. Isso gerava doenças venéreas. Na época não existia a Aids mas existia a sífilis, a blenorragia, que é a gonorréia, chegava ao cúmulo de ser status, ou seja, quem era machão tinha que ter tido doença venérea. As doenças foram curadas por antibióticos, mas o miasma da doença permanece por várias gerações.

O senhor diria que a Aids é miasmática?

É miasmática. O indivíduo que é portador do vírus da Aids pode sobreviver provavelmente por muito tempo. Foi o que aconteceu com aquele jogador de basquete Magic Johnson. Agora, quando o indivíduo é perverso ele morre daquele miasma da aids como aconteceu com Cazuza. Morreram muitos mas quase todos associados à perversão. Na realidade a homeopatia separa o miasma em três: um principal que geraria dois. Um chamado psora que é o miasma principal cujo significado no dicionário seria sarna, mancha ou pecado. Ele está lá inativo mas pode ativar-se em dois sentidos ou ele caminha para um caminho chamado sífilis, não da doença, mas do miasma mesmo, ou caminha para o miasma da sicose. A sífilis seria a destruição e a sicose a perversão. Como se distingue isto? Pela maneira de matar os outros. Se o indivíduo mata em legítima defesa isto está encaixado na psora, mas quando ele perverte isto e ele mata para destruir, para fazer magia negra. Por exemplo, as gangues de drogas, os militares na época da ditadura. Quando você junta o miasma da perversão com o da destruição você tem o câncer.

A perversão seria a iniqüidade?

Existe nas leis cósmicas um ditado que diz: você não deve confundir pecado com iniqüidade. Pecado é quando você contraria as leis cósmicas e, iniqüidade é quando você persiste no erro. Jesus cansou de falar, não sejas iníquo. Por exemplo, se você rouba para comer, porque está com fome, isto é um pecado. Mas se você não trabalha e entra no local para roubar para comer isto é uma iniqüidade. Você está persistindo no erro porque você quer, e esse é um livre arbítrio da pessoa. Ai chega um ponto em que não há mais retorno.

O que seria exatamente a magia negra?

Fazer alguma coisa com a intenção de destruir o outro é magia negra. Magia negra não é só lidar com o demônio. Se você entra na Igreja e reza para um santo para que a ajude a roubar o marido de uma outra mulher, isto também é magia negra. Você está fazendo um ato para destruir o outro.

No Pistis-Sophia (O Livro Sagrado dos Gnósticos do Egito) há uma parte que se refere a pegar a semente de um homem e o sangue menstrual de uma mulher e fazer bolinhas para comer. Esta prática é tratada como sendo passível à condenação as trevas. Isto também seria magia negra, não é?

Quanto ao esperma eu não sei, mas o sangue da menstruação é muito relativo ao etérico porque no mundo etérico, o principal órgão é o sangue. Por isso é que a mulher precisa extravasar e enquanto ela não menstruar, passa mal.

E quando as mulheres tiram o útero?

O ciclo continua, o ciclo pré-menstrual continua. Existem algumas indicações para a retirada do útero. Se uma mulher chegar aqui e disser que está com suspeita de câncer, claro que vai tirar o útero, não há o que discutir. Se uma pessoa jovem com 22 ou 23 anos está com um mioma gigantesco, com hemorragias enormes, comprimindo bexiga, comprimindo tudo, não há outra solução tem que fazer histerectomia. Agora uma pessoa com 40 e poucos anos que chega com mioma aí não é correto, é uma questão de bom senso. Eu já ouvi uma frase inteiramente materialista que eu condeno demais que é a seguinte: o útero só serve para duas coisas; para gerar filhos e para ter câncer. Quem fala isto é extremamente materialista. Porque quando você retira o útero da mulher, o útero em si, a parte material não tem significado, mas você retira o ventre, a capacidade de gerar, a capacidade de ser mãe, que é a virtude mais nobre de uma mulher. E isto eu estou cansado de ver no dia-a-dia. Isto gera depressão, vontade de morrer. A gente pergunta quando é que começou e a pessoa responde que a partir de quando tirou o útero.

Os pacientes da homeopatia podem fazer tratamentos alopáticos paralelamente?

Eu nunca prendo paciente nenhum. Eles sempre seguem paralelamente. Todos os meus pacientes continuam indo ao dentista, as mulheres ao ginecologista fazer prevenção de câncer, os hipertensos, aos cardiologistas, os diabéticos continuam indo ao endocrinologista e tomando sua insulina. O que eu não passo é calmante, antibióticos desnecessários, e as pessoas seguem paralelamente. Só que com o tratamento homeopático elas passam a se equilibrar mais e a precisar cada vez menos dos outros remédios.

E se eles estiverem tomando calmantes, não há problemas?

Eles vão retirando os calmantes gradualmente e vão substituindo pela homeopatia. Em nenhum momento, eu já atendi doenças graves, eu deixei de liberar para tomarem medicamento alopático. Eu libero em primeiro lugar para a cirurgia, em segundo lugar para a quimioterapia e peço para que não façam radioterapia. Das três condutas em oncologia a radioterapia é a única com a qual eu tenho um pouco de pé atrás. Porque você vai mandar radiação para uma pessoa e a medula óssea dela vai para o espaço. A defesa vai ficar baixa. Eu já vi muitas doenças sérias serem tratadas pela homeopatia, não que eu queira fazer marketing, eu já vi coisas, como é que sumiu, como é que desapareceu? Isto porque não é um tipo de cura, é a cura verdadeira. Ela vai fazer com que a pessoa melhore seu mental para que ela não fique mais doente. Ai não é só o remédio, é a postura de vida da pessoa que deve ser mudada. Ela tem que estar disposta. E outra coisa. Há o livre arbítrio. A pessoa não é de ninguém. Não existe pronome possessivo para paciente: ele é meu paciente. Ele é meu nada, ele vai aonde quiser. É o livre arbítrio, eu não me refiro às pessoas, fulano é meu paciente. Eu digo que eu conheço tal pessoa, que ela vai sempre ao consultório se tratar. Eu digo, às vezes para que ela mude de homeopata mas que não largue a homeopatia.

O senhor poderia contar alguma coisa pitoresca, algum caso interessante, no decorrer do seu trabalho como médico?

São dezoito anos de homeopatia, e muita coisa me marcou. Mas eu nunca esqueço do caso de uma pessoa extremamente simplória. Ela dizia que o marido não deixava que ela fizesse nada. Batia nela, inclusive não a deixava nem assistir à televisão. E ela gostava de assistir à televisão. Ela tomou homeopatia. Daí retornou e perguntei se havia melhorado o relacionamento em casa. Ela disse que tinha melhorado que agora estava ótima, que assistia à televisão todos os dias.  Ai eu perguntei como é que tinha sido isso. Ela disse que quando começou a melhorar, começou a enfrentar o marido. Um dia ela ligou a televisão, ele chegou e desligou. Quando ela ligou pela terceira vez e ele desligou, ela pegou o martelo e “sentou na mão dele”. Nunca mais ele a interrompeu e ela passou a assistir à televisão todos os dias. A homeopatia não faz as pessoas darem marteladas mas ela faz com que as pessoas se imponham. Ela faz com que as pessoas respeitem os próprios limites.

Médico Homeopata

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