Capitalismo? Socialismo? Oportunismo!

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Estamos em um momento marcante. Uma oportunidade pedagógica. O planeta vive uma difícil situação econômica. Um caminho irônico demonstra os EUA ao repassar dinheiro estatal para instituições privadas falidas. A espirituosidade de alguns classifica esta ação como a transformação deste país na União das Repúblicas Socialistas dos Estados Unidos. O país emblemático do capitalismo, não seguiu o que impunha às demais nações, via FMI e Banco Mundial, por exemplo. O autêntico “faça como eu digo, mas não faça como eu faço”. A China, pretensamente comunista, age como capitalista. O modelo socialista cubano, soviético, da Coréia do Norte e outros se revelam também problemáticos. Tanto faz quaisquer países se dizerem comunistas, capitalistas, socialistas, porque no fim das contas o comportamento se revela semelhante, através de suas práticas e conseqüências. Todo mundo deveria ler a obra A Revolução dos Bichos de George Orwell, pois este homem íntegro descreve de maneira brilhante alguns lados obscuros da alma humana. Não importa que se utilizando de um ou outro conceito de organização social, “capitalista” ou “socialista”, na realidade observamos que gradativamente se forma uma elite que passa a explorar economicamente os demais que são a maioria. Esta assimetria é mantida com todas as artimanhas pela minoria da elite. Usando de exercício de poder os EUA promoveram em torno de 40 invasões de países ao longo de sua história para manterem seus interesses, quando outras formas de coerção não deram resultados. Dirigentes cubanos têm atendimento prioritário no sistema público de seu país. Mao Tse Tung, chegou ao poder e passou a se beneficiar das benesses do poder. Tais quais, orgias (com dinheiro público, claro!), que foram relatadas por seu médico particular. O PT, no Brasil, usou do discurso da ética, para chegar ao poder. Resultado: José Dirceu, Genoíno, Delúbio, e Lula autodenominado metamorfose ambulante. A antiga elite que outrora combatera os sindicalistas, enamorou-se e cooptou este grupo e agora são todos iguais. Nas camadas sociais que não pertencem às “elites”, estão várias pessoas que corroboram as práticas destas e estão esperando a sua oportunidade. A inveja faz parte de nossas carnes e muitos que hoje são críticos ferozes de comportamentos “burgueses” - me referindo a este termo extemporâneo, ainda propagado - falam mal das classes dominadoras, hipocritamente, pois ainda não chegou a hora de se comportarem da mesma maneira. EUA, Inglaterra e União Européia estão usando rios de dinheiro para comprar a massa falida do sistema financeiro. No Brasil, o governo federal passou a utilizar desse recurso com o outrora PROER, pronto-socorro dos bancos falidos do Fernando Henrique Cardoso. E agora, Lula está liberando dinheiro até para as montadoras de automóveis e construtoras que erraram em seus negócios... Porque os políticos do mundo inteiro agem dessa forma? Por que várias empresas põem no bolso os lucros e quando dão prejuízo cobre-se o rombo, com o seu, o meu o nosso dinheiro - dinheiro público? Os políticos dizem que fazem essa imoralidade para evitarem quebradeiras generalizadas. Não, isso é uma imensa demagogia. Eles fazem isso para não afetarem seus próprios bolsos, já que eles representam não os seus povos, mas o poder das grandes corporações que mandam no planeta. Se Lula diz que veio “de baixo”, é apenas falatório de um indivíduo que pertence a uma atual classe de privilegiados. Para não perder esse status, tem-se uma receita federal “competente” para arrecadar o que for necessário e um sistema judiciário montado para resguardar “legalmente”, castas de funcionários públicos e dirigentes políticos. Daí se lê nos jornais que um auditor da receita federal tem um piso salarial de R$11200,00. Ganha isso a princípio a nobre profissão do professor que prepara as novas gerações? E se lermos os cadernos de economia da mídia observa-se que todos estão perdidos, se perguntando o que fazer, para onde ir. Segundo uma piada, quando dois economistas se reúnem, saem três opiniões. A recente reunião do G20, com chefes de várias nações aponta apenas uma carta de intenções. E em realidade revelou-se um bando de dirigentes querendo resolver seus próprios problemas, situação tão comum. Rudolf Steiner já apontara em suas exposições sobre a questão social que viveríamos se mantivéssemos equívocos conceituais por ele delineados. Situações como as que estamos vivendo por diversas razões. Uma delas, sobre o dinheiro. Uma vez que ele não corresponda a um bem físico, o dinheiro poderia perpetuar-se levando a distorções. Ronald Reagam e Margaret Tatcher acentuaram essa situação ao avalizarem o desacoplamento do “dinheiro” de sua paridade com um bem físico, tangível, o metal ouro. Se juntamos os juros compostos a isto, o dinheiro se automultiplica e aí juntando o lado sombrio das práticas especulativas, criamos algo monstruoso e poderoso. Essa virtualidade é a situação que estamos vivenciando. Tanto faz alguém dizer que é de direita, ou de esquerda, que veio de baixo, ou de cima, o fenômeno observável que vira exercício de ação social é o oportunismo. A prática de se obter vantagem daquele que naquela determinada situação encontra-se frágil. Seja nas relações entre indivíduos, seja milionário ou favelado, seja nas relações entre países. Sugiro a leitura do livro Economia Viva de R. Steiner, para poderem refletir sobre o que ele discorreu sobre a economia mundial e suas propostas para resolver os males sociais. Apesar de ter sido apresentado publicamente em torno de 1920, seu conteúdo é atualíssimo.

Clínica Médica e Reumatologia Antroposóficas. Consultor Biográfico

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