A reforma da Língua Portuguesa

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1 - Vamos supor texto escrito ou pensado por uma pessoa portuguesa, chegando a um shopping center.

For sale! Fitness, 50% off!

Aqui: Pizza delivery!

Que gira! As montras, aqui, no Centro Comercial, agora estão escritas em inglês, até parece o Brasil.

Que falta faz a máquina, pois tive de vir de autocarro. Vou à casa de banhos, primeiro. Ih! o autoclismo está com defeito.

Agora vou tomar uma bica, melhor, um galão, ou um carioca, com uma tosta.

E vamos às compras, preciso de retrosaria, uma blusa, uma mala,verniz para as unhas, socos, bandas desenhadas para os miúdos e...ah! um esguicho novo , tabaco e peúgas de desporto.

Uf ! Cansei, pois. Vou pôr tudo no bengaleiro para almoçar no snack-bar do piso acima. Não tem ementa, então vai um bitoque mesmo, um sumo de ananás bem fresco e uma tarte de nozes, que sabe bem. Isso todos têm.

E cá estou a me lembrar de que tenho de passar na charcutaria que fica ao pé do ponto de autocarro. Bem que poderia haver um metro por aqui.

Tomo um café de saco para terminar e vou à bicha para pagar a conta.

 

2 - “Traduzindo” para o português do Brasil:

(O que está em inglês fica do mesmo jeito, todos os brasileiros que frequentam os shoppings entendem inglês, não é mesmo?)

Que graça! As vitrinas, aqui no Shopping Center, agora estão escritas em inglês, até parece o Brasil.

Que falta faz o carro, pois tive de vir de ônibus. Vou ao banheiro, primeiro. Ih! a descarga está com defeito.

Agora vou tomar um café expresso, melhor, um copo de leite com café, ou um café fraco, com um sanduíche quente.

Vamos às compras. Preciso de armarinhos, uma camisola, uma bolsa, esmalte, tamancos, histórias em quadrinhos para as crianças e... ah! um chuveiro novo, cigarros e meias masculinas para esporte.

Uf! Cansei, pois. Vou pôr tudo no guarda-volumes, para almoçar na lanchonete (oba!, olha o inglês aí: snack-bar) do andar de cima. Não tem cardápio, então vai bife, ovo frito e batata mesmo, um suco de abacaxi bem gelado e uma torta de nozes, que é bem gostosa. Isso todos têm.

Estou lembrando que tenho de passar na salsicharia, quando for pegar o ônibus. Bem que poderia haver metrô aqui.

Tomo um café de coador para terminar e vou para a fila para pagar a conta.

 

Muitos textos poderiam ser escritos para mostrar que nunca vão ser iguais as línguas de Portugal e do Brasil. Também não são iguais o espanhol da Espanha e das Américas do Sul e Central, o inglês da Inglaterra e dos Estados Unidos, para ficar só nesses exemplos. Mesmo no Brasil, cada região tem seu falar característico, linguagem, vocabulário, sotaque... Para que, então, uma reforma agora, que vai trazer desperdícios, despesas e tantas inconveniências, gastos desnecessários numa época de crise e de economias até de papel... Sei que não adianta protestar, mas protesto mesmo assim e desconfio das verdadeiras razões dessa reforma, uma vez que Portugal mesmo não apoiava e poucas nações aderiram. Não bastava, então, tirar apenas o trema? Isso até que seria útil, pois a maioria dos brasileiros já não usava.

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