Escrito por J. Yanni
Na minha relação com as plantas há uma ligação de camaradagem, até mesmo de companheirismo. Muitas vezes entristece-me a ideia de uma poda. Julgo-a castrante, agressiva. Tenho pena da árvore pelada quando chora seus galhos levados pelo caminhão do lixo. Inventaram que isso é bom. Mas as grandes florestas existem sem esse exercício. Ponho-me em posição de defesa, tentando compensá-las com uma boa terra em suas raízes ou mesmo muita água para seu alento. Minhas plantas tiram-me da cama muito cedo para entrar na concorrência das torneiras antes que os outros se levantem. Faço assim e me sinto compensada como quem ganhou uma disputa. Não raro sou feliz por ver uma flor no galho, folhas mais saudáveis nos ramos ou os frutos pendentes em promessas de festa. Minha pitangueira está colorida. Foi um passarinho que a plantou ali. Agradei-a de tal forma que em pouco tempo a “fruteira” virou destaque entre as flores. Ganha em estética no jardim quando derruba suas folhas velhas, e simultaneamente dá lugar às novas. As flores vêm junto! Este ano choveu antes do previsto e ela pensou que fosse tempo de cio... Cobriu-se de flores e está lá esperando que os insetos a fecundem... Linda! Cheirosa! Toda oferecida!... Parece uma noiva desejosa! E eu estou aqui torcendo para que as abelhas venham logo, se não, como vou me arrumar sem o meu suco de pitanga? É a hora em que eu a comungo...
ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto