A montanha dourada

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“Como em síncope, por um instante,

Outro sol, inefável, ofusca-me totalmente,

E todas as cores que conheço e mais brilhantes

Orbes desconhecida,

Um instante da terra do futuro, terra dos Céus “.


(Walt Whitman)

 

Desde que conheci Wilson Salgado por meio de seu primeiro livro, “O Contador de Outroras”, senti enorme identificação com ele e um aroma das minhas recordações, ao repousar meu coração nas suas: uma alma gêmea.

Depois, prefaciei o seu “A dança das horas” e senti o odor acre das inseguranças e incertezas dos que passamos dos cinquenta, ao repousar meus óculos de grau nos seus “Contos Krônicos”.

Agora, ao ler os originais de “A Montanha Dourada”, tendo já lido o primeiro esboço, em diversos momentos, além do aroma inconfundível dos exemplares de uma antiga coleção do “Tesouro da Juventude” (fonte dos meus primeiros conhecimentos, muito mencionados nesse novo livro do Wilson, graças ao empréstimo que me foi feito, tomo a tomo, por uma vizinha, Dona Edméia), encontrei ali orientações e conselhos que tenho dado, durante a minha vida, aos meus filhos: encontrem o melhor caminho para a consecução de seus objetivos na vida: lutar sozinhos até onde suas forças o permitam e, apenas ao sentirem-se impotentes, é que devem clamar por ajuda superior.

Tércio, personagem central de A Montanha Dourada, sai numa viagem no tempo e no espaço, munido de muitas informações retiradas de muitas horas de leitura, em busca da Sabedoria, “... luz tão viva e tão brilhante como você jamais viu”, segundo Mestre Agatós, líder dos Gênios da Montanha, e que São Paulo chamou de “revelação de uma grandeza que a tudo excede“, que Dante chamou de “círculos eternos“, que Whitman denominou “o conhecimento que excede todos os argumentos da Terra”, que Plotinus disse ser, “como ser banhado pela divindade, mergulhado na luz da eternidade”, que Las Casas sentiu como “que caísse sobre si uma luz dos céus“, que São João da Cruz sentiu como “certo brilho escapava de seu semblante, em muitas ocasiões: uma luz magnífica“, ou seja, a Consciência Cósmica: a Iluminação.

Tércio, com vinte e sete anos, muito culto, passa por maravilhosas experiências em sua jornada: aventuras com o grande guerreiro Ulisses e com os Ciclopes, o voo com Dédalo e Ícaro, a viagem pelo oceano encapelado, a fúria dos relâmpagos, dos trovões e dos ciclone que o obrigam a invocar ajuda de Isquirós, Logos e Águios, o desespero na destruição de Sodoma, a oportunidade de enfrentar um imperador romano e, ao decifrar um intrincado enigma, salvar dezenas de inocentes cristãos de uma morte cruenta, tem a enorme aventura de participar de um simpósio e estabelecer contato com os maiores sábios de todos os tempos, fala com Dante e com Virgílio, fala com Adão e tem a incomparável ventura de falar com o próprio Jesus Cristo.

Assim como, no caminho da heurística, o importante é o caminhar, nesse novo livro de Wilson, o mais importante é lê-lo e reencontrar (ou encontrar) nele personagens que fizeram a história desse admirável mundo do conhecimento humano e, se possível, a própria Iluminação.

ARL - Academia Ribeirãopretana de Letras

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