A caixa de música

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É incrível este eterno
que existe em tuas chegadas e saídas.
Meu coração sorri de não ter mais rédeas
E voa feliz atrás dos teus ares e perfumes.
É incrível! Como se de todos os tijolos
vermelhos do meu chão
brotassem árias e capins, quando chegas, tímida.
É incrível como tua timidez me fere de lança...
A mim que tenho o riso hirto
das longas esperas
e as pernas doloridas das imensas partidas...

Vê, amiga: do meu coração sobrou
só esqueleto e ferrugem.
Desesperado estendo panos coloridos
repintando meus cenários.
A dança começa e a música, de suave
passa a uma sagração de Primavera...
O cenário se acende e minhas cinzas
caem para cima
e, como neve,
acariciam uma casa iluminada.

No centro giras,
bailarina da minha música...
E, feliz, feliz eu repito
do lado de cá do espelho,
cada gesto, cada olhar,
como se fossemos reflexo.
Um do outro...

Grupo Flamboyant

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