A indiferença do poeta

PDFImprimirE-mail

HTML clipboard Lápis e papel sobre a mesa caídos
Esperam misteriosamente
Que se cumpra o estranho ritual
Do encontro dos opostos.
A manifestação do contraste: único
Motivo de suas existências tristes.

O poeta senta-se e olha-os.
Da tríplice solidão nasce
Em instantânea profusão uma relação
Eterna de amor. Essencial. Só doação.

O poeta, autômato, longínquo, toma-os
E destila, dos dois, também a dor.
Vai-se e deixa sobre a mesa
Após misteriosa magia de criar
Em companhia de sua
Poesia doce amarga
Orgulhosos, o papel e o lápis
Satisfeitos de si, vivos.

Indiferente à felicidade inerte de ambos
O poeta conta a história própria
Conta até mesmo a história deles
Quem sabe a história nossa!
Banner
Banner
Banner
Banner