

Escrito por Waldomiro W. Peixoto
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Lápis e papel sobre a mesa caídos
Esperam misteriosamente
Que se cumpra o estranho ritual
Do encontro dos opostos.
A manifestação do contraste: único
Motivo de suas existências tristes.
O poeta senta-se e olha-os.
Da tríplice solidão nasce
Em instantânea profusão uma relação
Eterna de amor. Essencial. Só doação.
O poeta, autômato, longínquo, toma-os
E destila, dos dois, também a dor.
Vai-se e deixa sobre a mesa
Após misteriosa magia de criar
Em companhia de sua
Poesia doce amarga
Orgulhosos, o papel e o lápis
Satisfeitos de si, vivos.
Indiferente à felicidade inerte de ambos
O poeta conta a história própria
Conta até mesmo a história deles
Quem sabe a história nossa!