A moça de Minas

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Mesa posta, dois pratos e copos.
Braços na janela, moça cantarola. Cabelos escuros abraçados num pano florido.
No corpo delgado, caseiro vestido de quadros.
Sandália de tiras saindo-lhe os dedos.
Mãos arrumam mechas que teimam em saltar do lenço.

A moça perto do fogo
Canta feliz assim
Cozinha o almoço
Encantada neste festim

Batente da janela estala ao sol, encosta a porta fugindo do vento.
Panelas se queimam por causa do tempo.Volteia a casa sem qualquer novidade.

A moça perto do fogo
Resmunga no bandolim
Atrasa o seu moço
Esperar não é tão ruim.

Outra volta na casa sem sucesso.Retorna a janela e vê o sol que se despede. Empurra a porta, escancara a cortina.Observa o passaredo que volta ao ninho.

A moça perto do fogo
Chora no luar de marfim
Reclama, na sua ausência,
Seus carinhos a um querubim.

Janta seu almoço rapidamente. Joga o resto no galinheiro.Tira o lenço que é guardado no único armário de seus pertences. Fica descalça, senta-se e risca com as unhas recém pintadas o chão de terra batido. Alisa a toalha da mesa.

A moça longe do fogo
Tranca o cadeado.
Maldiz o logro.
Gato fica ao seu lado.

Tira o vestido. Apaga a vela que acendera para S. Antônio. Aparta do colo do Santo o menino. Joga na gaveta. Olha-se no espelho. Choraminga qualquer coisa. Passa a mão  sobre o rosto manchado pelas lágrimas.

A moça longe do fogo
Olha o céu e pensa por fim,
Pouco se me dá que ele venha
Arrumo um outro pra mim.

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