Escrito por Maria Donizeti Araújo Roquetti
A Terapia Comunitária nasceu em 1988, em Fortaleza, e seu criador foi o Prof. Dr. Adalberto Barreto, médico psiquiatra, teólogo, antropólogo, terapeuta familiar, que sentiu a necessidade de articular o saber científico com o saber popular, na perspectiva do desenvolvimento das dinâmicas individuais e das comunidades.
É uma nova abordagem de acolhimento da dor e do sofrimento, através da partilha de experiências de vida e sabedorias de uma forma horizontal e circular. Inédita, objetiva e à frente das soluções apresentadas até hoje é a resposta que faltava nas intervenções sociais e empresariais. Cada um torna-se terapeuta de si mesmo, a partir da escuta das histórias de vida e todos são co-responsáveis na busca de soluções e superação dos desafios do cotidiano.
É uma reunião de pessoas, onde todos são acolhidos, ouvidos, podendo conversar com simplicidade, onde o terapeuta não é o especialista do conhecimento. Um lugar onde o indivíduo deixa brotar de dentro para fora, suas riquezas, suas competências e suas experiências (boas e más). Compartilham problemas, dificuldades, soluções e despertam a solidariedade.
Os encontros acontecem sempre em um clima de amizade, compreensão, tolerância, onde no final todos cantam, se abraçam em um círculo em que cada um é um elo de sustentação, estímulo e apoio deste círculo. A própria comunidade é a detentora das soluções de seus problemas.
Ela está alicerçada em 4 eixos teóricos:
1. Pensamento Sistêmico: Os problemas só são entendidos e resolvidos se os percebermos como partes de um todo: biológico (corpo) psicológico (mente e emoções) e a sociedade. Cada parte influencia e interfere na outra.
2. Teoria da Comunicação: A comunicação entre as pessoas é o elemento que une os indivíduos, a família e a sociedade. A comunicação permite compreender que todo ato (verbal ou não) individual ou grupal, possibilita entender as muitas possibilidades dos significados e sentidos do comportamento humano.
3. Antropologia Cultural: A cultura é o elemento de referência de nossa identidade, interferindo de forma direta de quem eu sou, quem somos nós. É a partir daí que podemos nos aceitar, nos amar, para aceitarmos e amarmos o outro.
4. A Resiliência: É a própria historia pessoal e familiar de cada participante. Em nosso trabalho, não identificamos fraquezas e carências, não diagnosticamos problemas nem como compensá-los, pelo contrário, identificamos as forças e capacidades dos individuais, das famílias e das comunidades para que através deste recurso, os indivíduos possam encontrar suas próprias soluções. Apoiamo-nos nas competências dos indivíduos e não nas suas carências.
Os principais objetivos da Terapia Comunitária são:
- valorizar o papel da família e da rede de relações que ela estabelece.
- reforçar a dinâmica interna de cada indivíduo para que descubra seus valores e potenciais.
- suscitar sentimento de união e identificação com seus valores culturais.
- redescobrir e reforçar a confiança de cada indivíduo.
- reforçar a auto-estima individual e coletiva.
- não se propõe a resolver problemas, mas sim suscitar dinâmicas que possibilitem a partir de experiências criar uma rede de apoio aos que sofrem.
Terapeuta Corporal / Analista Bioenergética / Psicossomática / Terapeuta Comunitária
Ãnimus Espaço Terapêutico