Yoga para o sistema respiratório

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Introdução - No começo era a palavra e a respiração

A respiração é a ferramenta fundamental para nossas vidas. O aperfeiçoamento da respiração é a base para desenvolver a habilidade de liberar as emoções criativas, controlar os estados de ânimo e promover a saúde e o desenvolvimento da concentração. O controle da respiração começa com exame do que é a respiração em si. Para o Yogue, a respiração é um ato físico acompanhado por forças sutis do corpo e da mente, e esta força se chama prana.

A respiração deve ser sentida como algo mais amplo, e não somente como o ato de  pôr ar para dentro e para fora. É preciso levar em conta que a respiração e todo seu movimento está conectada com pensamentos e emoções. Há uma relação íntima entre a respiração e a palavra.

A respiração e a palavra juntas formam a direção da vida. Juntas governam a comunicação com o nosso ser e com os demais.

A respiração e a palavra formam a plataforma desde onde as coisas começam a ser. A respiração e o som têm a habilidade de criar padrões, e se o indivíduo os usa para seu benefício, ele poderá dirigir criativamente sua vida e seus potenciais.

Um Yogui se encontra consciente da natureza bilateral da percepção e da experiência. A respiração “é minha e não é”. É tanto automática como consciente. A respiração compartilha a natureza do ponto de vista terreno, tanto como do ponto de vista divino.

A respiração e a palavra interagem para criar a matriz da vida e da consciência. Estão intimamente ligadas.

Nos reinos etéricos da metafísica do Universo, a primeira coisa depois de Deus é a palavra. Ela é um padrão manifestado, a semente necessária para que qualquer coisa possa existir.

Depois dessa infusão de genética cósmica, a energia sutil movimenta as gunas, que são tamas, raja e satwa. Estas são as três qualidades da trindade que compõe e combina nossas experiências. Então no céu primeiro é a palavra, seguida por seu servente, a respiração ou prana. No reino terrestre, a respiração vem em primeiro, depois a palavra, e esta vem de acordo com a energia da respiração.

Os sábios ensinam que para sermos sutis em nossa percepção, e para dirigir o nosso destino, devemos cultivar a respiração e o valor de cada palavra que emitimos em voz alta ou mentalmente. Com a prática e o domínio da palavra e da respiração podemos moldar a grande jogada da vida e da consciência.

Respiração Longa e Profunda

A respiração é um barômetro de energia da vida. É a medida mais consistente de vitalidade à medida que o homem envelhece. A respiração é a base da consciência e do estado de ânimo.

O primeiro trabalho de qualquer estudante de yoga é desenvolver e cultivar a consciência desta ferramenta altamente poderosa que é a respiração.

O uso correto da respiração é uma habilidade que devemos cultivar. Pode-se imaginar que algo tão essencial para a vida seja automático. Na verdade a respiração é voluntária tanto quanto é involuntária. Tem a ver em partes com a genética, o temperamento e a evolução. Em parte ela é aprendida. Quando o ser humano aprende como regular sua respiração, codificará a postura emocional em relação à vida. A respiração funciona como um depósito para a energia que usamos normalmente e para reservas de emergência.

Dados de uma pesquisa realizada apontam que 40% das pessoas não respiram corretamente.

A respiração é tanto densa como sutil. O aspecto denso é a integração do oxigênio, nitrogênio e outros elementos químicos que compõem o ar. O aspecto sutil é o prana, a força vital que dá energia à mente e ao corpo. A quantidade, qualidade e circulação de cada um destes elementos forma a base para uma vida criativa e com muita vitalidade.

Respiração Profunda e Completa: Como fazer?

Para que você esteja seguro de que está realizando a respiração de forma correta, você deve separar as três partes da respiração completa.

Comece a encher o abdômen, depois expanda o peito e finalmente expanda as costelas superiores e a clavícula.

A expiração é o mesmo processo, mas em sentido contrário: solte o ar da clavícula, das costelas e por fim do abdômen, empurrando o umbigo para trás em direção a coluna.

Respiração abdominal: Sente-se no chão ou em uma cadeira. Relaxe a sua respiração a uma profundidade e ritmo normal. Dirija a atenção ao seu umbigo. Comece a inspirar permitindo que seu abdômen relaxe e encha de ar. Expire e puxe o seu umbigo para dentro e para trás. Para esta experiência você deve manter-se relaxado. Esta respiração movimenta o diafragma, que ao inspirar o pulmão se expande e empurra o diafragma para baixo. Ao expirar retorna e é empurrado para cima. Se o indivíduo tem dificuldade com esta parte da respiração, terá que se deitar de costas e colocar um livro sobre a sua barriga no ponto do umbigo e posicionar as mãos sobre o peito. Ao inspirar, o livro deverá subir em direção ao teto e, ao expirar descerá de maneira estável. As mãos deverão permanecer paradas, indicando que não há movimento da caixa torácica.

Respiração peitoral: Sentado com a coluna alinhada e o diafragma parado, sem permitir a expansão do abdômen. Inspire lentamente utilizando unicamente o músculo do peito. O peito se expandirá usando o músculo intercostal. Pratique este movimento lentamente concentrando-se na expansão. Expire completamente, sem usar os músculos abdominais.

Respiração clavicular: Sente-se ou deite-se com a coluna alinhada. Contraia o umbigo para dentro e mantenha o abdômen contraído. Erga a caixa torácica sem inspirar. Agora inspire lentamente, expandindo os ombros e a clavícula. Expire, mantendo o peito elevado.

Cada parte da respiração expansiva é diferente. Se você combinar as três, obterá a respiração longa e profunda.

Respiração longa e profunda: Sente-se ou deite-se no chão com a coluna alinhada – quando a coluna está bem alinhada, as costelas e os músculos se movimentam com mais liberdade. Comece a inspirar fazendo a respiração abdominal, depois a peitoral e finalmente a clavicular. Todas se realizam com um movimento contínuo e sutil. Ao expirar você começa por relaxar a clavícula, depois o peito e finalmente o abdômen é contraído para extrair o ar restante. Faça isto em uma seqüência rítmica e contínua.

Quais são seus Benefícios

- Relaxamento e calma;

- Claridade mental, despreocupação e paciência;

- Redução e prevenção do acúmulo de toxinas nos pulmões;

- Estimulo das químicas do cérebro, prevenindo a depressão;

- Construção de uma aura forte;

- Desenvolvimento do estado de alerta, ajudando a tomar decisões positivas;

- Enquanto se expande a capacidade pulmonar em 100%, a respiração, junto com a concentração, estimula a glândula pituitária, aumentando a secreção da mesma e a capacidade intuitiva;

- Bombeamento do fluído espinhal para o cérebro;

- Regula o P.H. (ácido) alcalino do corpo que afeta a habilidade de manejar uma situação de estresse;

- Estimulação da produção de químicas (Endorfina) no cérebro, que limita a tendência à depressão;

- Energização e possibilidade de estado de alerta devido à força vital (prana) no oxigênio;

- Liberação de bloqueios dos meridianos;

- Ativação e limpeza dos canais nervosos;

- Aceleramento do processo de cura e quebra hábitos e padrões indesejáveis enraizados no subconsciente;

- Redução da insegurança e dos medos;

- Restauração da aura;

- Auxílio no domínio da dor (parto).

Respiração do Fogo

Quais são seus Benefícios?

Purifica o sangue em três minutos. Estimula o plexo solar e a energia começa a fluir para todo o corpo. Aumenta a resistência do sistema nervoso. Quando é feita corretamente, ativa as ondas alfa no cérebro. Aumenta a produção de histamina, para enfrentar situações de emergência e conflitos. Fortalece o sistema nervoso, estimula o centro umbilical gerando equilíbrio que propicia e dá constância e disciplina física e mental. Expande a capacidade pulmonar melhorando e proporcionando uma vida mais saudável. Ajuda a centralizar a mente com equilíbrio. Remove toxinas e depósitos nos pulmões das membranas mucosas, do sangue e das células. Ajuda a manter o controle nas situações de estresse e conflitos e, regenera a aura e o campo eletromagnético.

Os pranas no Yoga

No Yoga se cultiva a respiração como enfoque central de todo trabalho.Aprende-se o controle da respiração, o raio, a profundidade e os padrões do ritmo. O processo fundamental desta respiração é trazer e armazenar Prana que pode ser traduzida como pranayama. A palavra Prana quer dizer “a primeira unidade” de energia. É o movimento da alma ao reino da mente e do corpo. A Yama quer dizer expansão. Portanto Pranayama é a habilidade de expandir a primeira unidade, a semente da energia dentro de nós mesmos, para a experiência da vida. Quando você se enche de Prana, sua vida se enche de vitalidade, êxtase, energia e manifestação. É uma força de vida universal.

A menor mudança na respiração cria um impacto enorme. É possível ter um grande impacto na elevação da consciência e na capacidade de atuar na vida quando ao cantar um Mantra, regulamos a respiração em profundidade e ritmo. É como fazer uma pequena mudança no código DNA. O DNA é a informação que dita uma estrutura para todas as ações físicas que acontecem dentro de uma célula. Da mesma forma os padrões prânicos dentro de um ser humano estruturam o corpo físico e as freqüências mentais existentes. É uma vibração que liga o campo eletromagnético finito com o campo eletromagnético infinito ou universal.

Deve-se ter muito respeito pela respiração. Ela é o instrumento que pode medir o que ocorre em todo o universo, tanto interna quanto externamente.

Prana com P maiúsculo divide em diferentes freqüências ou movimentos dentro das áreas do corpo. Cada uma destas divisões do Prana tem o seu lugar dentro do corpo. Quando há acúmulo de Prana dentro de uma área do corpo, ou pouco Prana gera-se um desequilíbrio, doença da mente ou de emoções.

Técnicas de respiração, postura, nutrição servem para recriar o fluxo natural destas subdivisões do Prana que existem dentro do corpo. Assim podemos recuperar uma sensação de calma, flexibilidade e intuição espontânea.

Dessa forma, nosso corpo serve como instrumento perfeito para a alma. Já não nos obsidiamos mais com nossas necessidades e problemas. Podemos sentir o movimento que existe dentro do universo. Podemos observar a respiração de alguém e saber o seu estado de saúde ou doença e suas probabilidades de êxito na vida. Parece um milagre, mas não é! É simplesmente a sensibilidade de sentir os movimentos do Prana.

Prana se subdivide em Prana, Apana, Udana, Samana e Vyana.

Prana com p minúsculo se acumula entre a base do coração e do pescoço. Está vinculado às funções dos pulmões e à inspiração. É a expansão dos pulmões e da energia interna.

Apana se localiza abaixo do umbigo e governa todas as funções de eliminação. Nos tempos atuais é necessário um apana poderoso para a eliminação de toxinas. Apana tem ligação com as qualidades da terra que sustenta muitas partes do corpo. Quando você acumula muito apana, tende a ficar lento, preguiçoso, com uma sensação de peso, de confusão mental. Um apana forte pode dar uma sensação de segurança e ordem.

Udana reside na laringe e na cabeça e dirige o ar para cima e para fora. Está conectada com a fala e com o vômito. Atua com todos os sentidos da cabeça. Em desequilíbrio afeta a voz e a habilidade de criar notas musicais.

Samana se localiza na região entre o coração e o umbigo. Governa a maioria da atividade metabólica. Tende a organizar, sistematizar e decide para onde as coisas vão. Ajuda a saber o que assimilar, e o que deve passar para o cólon. Pessoas que tem o samana alterado tendem a ser confusas, com emoções confusas e inabilidade de sentir-se verdadeiro. As relações podem ser confusas. O samana equilibrado ajuda a ter claridade mental.

Vyana permeia todo o corpo. É como um tecido, que interliga e governa a coordenação dos músculos e articulações em todo o corpo. Sua ação dá ao corpo e aos pensamentos uma sensação de integridade e uma espécie de viscosidade ao corpo prânico. Quando Vyana é perturbado, o indivíduo pode isolar uma parte do corpo de outra e desconectá-las. Vyana forte cria uma sensação de interconexão e fluidez.

Os pranas são afetados pelos cinco elementos: terra, ar, fogo, água e éter.

Cada elemento tem uma qualidade que é somada às diferentes funções de cada tipo de prana. Por exemplo, o prana respirando nos pulmões é alterado em um ritmo regular durante o período de uma hora. No ciclo normal de uma hora, a respiração de prana passa a aproximadamente 20 minutos com a qualidade terrestre, 16 com a água, 12 com fogo, 8 com ar e 4 com éter. A forma fundamental de empregar o prana e o processo de usar o canal central de energia é a Sushumana, a ida e a píngala. Ao manter estes canais alertas e coordenados, todos os chakras, todos os meridianos que se conectam na acupuntura, todas as nadis da medicina ayurvédica começam naturalmente a alinhar-se com os impulsos-chave da vida e da criatividade que vem da alma através de uma mente neutra. Unindo-se ao natural do universo, você ajusta os pranas do corpo. Os ciclos básicos como o ciclo nasal, se relacionam em um nível físico para regular os sistemas simpáticos e parassimpático, e para estimulação de certas glândulas. Não existe uma ciência mais grandiosa e extensiva que o Yoga para o uso da respiração, para cura e para o cultivo de cada aspecto e faceta da mente.

Assim que nos educarmos para fazer uso correto da nossa respiração, oxigenando todas as células do nosso corpo e armazenando prana ou bioenergia de forma correta e consciente, observando se todas as qualidades dos elementos estão devidamente distribuídas no corpo, com todos os pranas equilibrados, poderemos manejar as nossas vidas com todo o nosso potencial.

Exercícios de Yoga

- Todas as respirações (Pranayamas);

- Alongamento sentado ou em pé;

- Postura do arado;

- Mãos entrelaçadas a 90º acima da cabeça. Respiração do fogo;

- Yoga Mudra;

- Em pé, braços alongados acima da cabeça, faça a antiflexão, com respiração do fogo (bom     para combater asma);

- Relaxamento.

- Atitudes emocionais relacionadas ao pulmão: Tristeza, medo de aceitar a realidade da vida, desânimo, cansaço da vida.

Yoga para a respiração – Pulmões

resp1

- Aumento da capacidade dos pulmões - (1-3 minutos) - Sente-se em postura fácil. Entrelace as mãos atrás da nuca (embaixo do cabelo). Inspire bem profundo, erguendo os cotovelos e levando-os para trás, mantendo a cabeça reta (a). Expire completamente enquanto você encosta o queixo no peito e os cotovelos para baixo até juntá-los (b).

resp2

- Limpeza da parte superior dos pulmões - (1-3 minutos) - Sente-se em postura fácil com as mãos em gian mudrá, com os braços afastados do corpo e paralelos ao chão, os antebraços apontando para cima (a). Inspire completamente e estique os braços em direção ao teto (b). Expire e retorne-os à postura inicial. Continue em movimentos rápidos.

resp3

- Para prevenir problemas dos pulmões - (1 minuto) - Fique de joelhos. Inspire, erga as mãos acima da cabeça e bata palma uma vez (a). Expire e leve as mãos para as laterais do corpo (b), e lentamente aplauda a sua frente (c). Inspire novamente, erga os braços acima da cabeça e siga. Aplauda em cima, aplauda em frente. Continue.

Pranayama para a purificação

resp4

Sente-se sobre o calcanhar esquerdo com a perna direita esticada para frente. Estique o braço direito pra cima e cerre o punho. Respire longa e profundamente, tentando espremer a respiração através da narina direita. Mentalmente vibre “Sat”, ao inspirar, e “Nam”, ao expirar. Continue durante 3 minutos. Depois troque as pernas, os braços e as narinas. Inicie uma respiração longa e vigorosa novamente, durante 3 minutos.

Comentário:

Este Kriya respiratório serve para eliminar a negatividade e a premência em caluniar os outros, em lugar de purificar-se. Estimula o sistema linfático a limpar-se. Aumenta a energia nervosa em todo o corpo.

Exercícios para expandir a capacidade pulmonar

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Exercício 1 - Sente-se em posição fácil. Levante os braços, de modo que os braços fiquem paralelos ao chão, e os antebraços perpendiculares a ele. Dobre os pulsos, com as palmas voltadas para cima, paralelas ao chão. Mantenha esta posição por 1 minuto. Inspire profundamente e prenda a respiração por 10 segundos. Expire. Repita as respirações sem descanso, 4 vezes. Depois prenda a respiração, após expirar, e aplique o mulbhand. Inspire, prenda a respiração brevemente e expire.

resp6

Exercício 2 - Pratique a respiração longa e profunda durante 10 minutos, com as mãos na trava de Vênus, sobre o colo. A cada inspiração, erga bem alto a caixa das costelas. É possível sentir uma tontura temporária, porém os resultados conduzirão ao controle mental. Uma concentração firme no ponto das sobrancelhas aliviará muitos desequilíbrios.

resp7

Exercício 3 - Este exercício deve seguir imediatamente o anterior. Sente-se com as pernas esticadas para frente. Dobre o corpo para frente, e segure os artelhos. Inspire, expire e prenda a respiração. Bombeie o abdômen tanto quanto possível, depois inspire e expire. Repita mais duas vezes.

Comentário:

O exercício 1 faz a energia voltar para os pulmões e para o coração. O exercício 2 usa a energia para expandir a capacidade do pulmão. O exercício 3 equilibra e distribui o prana. Em uma aula para principiantes, faça este conjunto três vezes, porém somente com respiração de 2-3 minutos, no exercício 2.

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