A Clínica do Acompanhamento Terapêutico (AT) - Uma estratégia de atendimento psicossocial.

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A atividade clínica do Acompanhamento Terapêutico - AT, inicia-se no Brasil nos anos 80, influenciada pelo movimento político-ideológico das reformas psiquiátricas e a tentativa de supressão dos manicômios na Europa e Estados Unidos, da década de 60. Trata-se de uma modalidade de atendimento no domicílio ou outro local, que se destina a pessoas comprometidas na sua capacidade de cuidar de aspectos básicos da vida: organizar pertences; programar suas atividades habituais; estudar e/ou trabalhar.

A sistematização da atividade clínica AT, vem após capacitação do profissional de saúde na função de terapeuta Acompanhante Terapêutico – AT. Constituindo-se como um elemento a mais na rede de atendimento em saúde. O atendimento inclui todos os aspectos de vida diária do cliente, auxiliando-os na criação de um meio ambiente favorável à sua participação ativa na vida. Os vários espaços urbanos e sociais, onde se encontra a pessoa em dificuldades, são espaços da ação terapêutica do profissional at, que se contata ativamente com os diversos grupos a que pertençam os pacientes, indo até suas casas, ou em seus trabalhos, quando oportuno. O profissional at executa uma tarefa terapêutica e efetiva um enquadre clínico nessa função de acompanhar a pessoa em dificuldades.

A prática clínica do Acompanhamento Terapêutico (AT) pode ajudar pessoas com problemas psiquiátricos, emocionais e/ou de comportamento que estejam impedidas de circular socialmente na vida, restabelecendo sua conexão direta com a vida e com o mundo. O terapeuta at atendendo o cliente saindo pela cidade com ele, busca situações que montem um guia de trabalho terapêutico que possa articulá-lo na circulação social, através de ações voltadas para o aspecto psicossocial, sustentado pela relação terapêutica do terapeuta – o at e a pessoa acompanhada - o cliente. É a chamada clínica da cidade, que, percorrendo os espaços comunitários possíveis no alcance do objetivo da ressocialização, processa o vínculo terapêutico que se estabelece na relação entre ambos.

Destina-se a pessoas com distúrbios psiquiátricos; depressão; deficiências (física e/ou mental); síndrome do pânico; dependência química (drogadição e/ou alcoolismo); dificuldades no comportamento social em: crianças, adolescentes, adultos e terceira idade.

Inicialmente, o terapeuta at deve realizar uma entrevista com quem o procurou, para levantamento da necessidade deste atendimento. Em seguida, serão traçadas as diretrizes do atendimento, com horário previamente marcado, em locais favoráveis a re-socialização seja na residência, na rua, na escola, no local de trabalho, no cinema, no shopping, em praças, em viagens, entre outros.

Leituras recomendadas:

- Acompanhamento Terapêutico: a construção de uma estratégia clínica. Ana Celeste de A. Pitiá e M. Santos. Editora Vetor: São Paulo, 2005.

- Ética e técnica no Acompanhamento Terapêutico: andanças com Dom Quixote e Sancho Pança. Edições Sobornost: São Paulo, 2005.

Psicoterapeuta e Terapeuta de Acompanhamento Terapêutico. Doutorado em SM pela EERP/USP. Ribeirão Preto / SP.

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