Como tratar as distorções da sexualidade

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É preocupante o número de jovens que decidem optar pelo mesmo sexo em termos de preferência sexual. “Eu tenho visto um índice de adolescentes e pré-adolescentes fazendo uma escolha sexual pelo mesmo sexo muito assustadora”, constata a terapeuta corporal e transpessoal Claubete Nóbrega. A terapeuta toma como base para chegar a essa conclusão o trabalho que realiza há dois anos especificamente com pré-adolescentes e adolescentes em seu espaço holístico.

“Eu tenho ficado muito surpresa de ver como as crianças não conseguem trazer a energia de vida delas para fora de forma mais saudável”, revela, apreensiva. Na linha dessa preocupação, Claubete Nóbrega sinaliza para a forma como os pais lidam com a própria sexualidade deles, os pais, que “interferem na forma como as crianças começam a trazer a sexualidade deles para fora”.

Carências

Segundo a terapeuta, por estar naturalmente confuso com a intensa modificação corporal que está vivendo e porque o meio familiar não está sendo nutrido nem sustentado de forma pelo menos um pouco mais madura, “o adolescente (não são todos obviamente) procura através da carência emocional quase sempre se ligar a outro adolescente que tenha carências semelhantes. Então, as pessoas estão se relacionando pelas carências e não pela necessidade de ser feliz.”

De acordo com Claubete, essa carência se dá através da vivência doméstica, da rotina, do dia-a-dia. Não que os pais tenham que deixar de trabalhar. “Mas acontece que quando os pais estão em casa, eles não estão presentes, eles não ficam com os filhos. Ficar com o filho não é ficar grudado, não, mas estar dentro de casa realmente”, observa.

Solidão

“Normalmente, os pais levam os locais de trabalho para dentro de casa e aí, porque estão cansados de um dia de trabalho, nem se conectam com eles mesmos na posição de pais, de marido, de mulher, de dono, de dona de casa, nem com a posição de filhos”, constata. O resultado é que as crianças ficam muito sós, ficam entregues às babás, assistindo à televisão e expostas a qualquer outro movimento que venha do lado de fora da casa.

“O tempo que a criança tem em casa para ficar com os pais, eles não estão presentes. Porque a presença física não significa presença, às vezes o corpo está ali, mas a gente está em outro lugar, e as crianças sentem muito essa falta e reclamam bastante da falta da presença real dos pais. Os pais vão se distanciando dos filhos e só param para olhar que eles são filhos e existem quando apresentam uma distorção qualquer. Ou caem na droga, na prostituição, na homossexualidade, ou caem no roubo, ou começam a tirar notas péssimas na escola, aí sim, o adolescente encontrou uma forma de chamar a atenção dos pais”.

Sim, não deixa de ser uma forma de protesto, de contestação, rebeldia. Mas para Claubete Nóbrega a questão é mais profunda. “É uma forma que a criança encontra no adolescente - a criança interna se expressando no adolescente - para dizer: eu existo e eu preciso de vocês. A criança obriga os pais a responderem, pela distorção, infelizmente”, lamenta.

Buraco

Infelizmente, ela acentua, quando essa presença se concretiza, a criança já está num buraco muito grande. “É muito difícil a criança sair desse buraco, ela vai sempre precisar de alguém do lado de fora para tirar, ajudá-la a sair desse buraco. Mas a grande maioria das distorções das crianças é em função da falta, não falo da falta física, do conforto físico, é a presença interna dos pais na relação, a afetividade, a troca, a cumplicidade.”

Os pais evitam entrar no mundo dos filhos, já que não conseguem entender o filho. “Você não vai poder trazer o filho para o seu mundo de adulto, porque o seu mundo já está obsoleto para aquela geração. Você precisa ir ao mundo do filho porque estando lá você vai aprender a modalidade nova que está chegando e vai aprender junto com seu filho, como parceiro de seu filho”.

É claro que os pais, por serem mais maduros, não vão fazer algumas das inconseqüências dos adolescentes. “Mas eles precisam estar participando daquele mundo, nem se excluindo e nem tentando trazer o adolescente para o mundo deles. Ele tem que aprender a levar o valor dele para o mundo do adolescente. Aí o mundo do adolescente vai ficar rico, porque não vai ter uma guerra: aquilo é ultrapassado, aquilo é careta, aquilo não serve mais. Não, aquilo serve, mas numa linguagem nova do adolescente”, sugere.

Diálogo

Esse choque de linguagem a terapeuta diz que tem observado muito no trabalho que desenvolve em João Pessoa, na Paraíba. “A gente vai travar um diálogo com o adolescente e ele não tem linguagem, não sabe falar. Ele não sabe falar porque a gente não ensina. A gente chega em casa e não tem uma linguagem com eles. E claro, se entre eles se comunicam daquele jeito, a gente vai ter que aprender.”

Lentamente, na medida em que os pais vão aprendendo, introduzem o seu linguajar, eliminando o choque entre as duas gerações. “E esse é o processo da evolução, cada geração que vem vai trazer algo novo que precisa ser visto, que precisa ser tomado em nível de posse interna, de consciência, é uma coisa depois da outra. É assim que a evolução vem fazendo esses anos todos há milênios e milênios”, conclui Claubete.

Fusão

A propósito do tema é mostrar que sexualidade e espiritualidade são uma coisa só. “Na nossa abordagem, não existe diferença, não tem uma separação entre uma coisa e outra. A nossa energia sexual é a manifestação no concreto aqui e agora, é a forma como a gente cria.”

Para a terapeuta, tudo que é criado é sexual, porque é a fusão de dois princípios: o princípio masculino do universo e o princípio feminino do universo que se fundem e dão num terceiro, que é maior do que o primeiro e do que o segundo.

Conforme diz, as pessoas acham que sexualidade está na genitália. “A sexualidade pode estar também na genitália, por isso é que o nosso tema é do profano ao sagrado. A gente utiliza encontrar as distorções básicas do ser na genitália e trabalhar essas distorções para que venha isso e surja de forma saudável na sexualidade”.

Terapeuta Corporal/Transpessoal
Texto do Jornal Corpo Mente - Feira de Santana – BA

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