Escrito por Marivoni Luni
Conceito de hidroterapia
O termo hidroterapia deriva das palavras gregas hydor (água) e therapeia (cura), ou seja, é o uso da água para fins terapêuticos. O uso da água no tratamento de patologias constitui uma prática antiga e que até hoje continua tendo diversas aplicações. Ela pode ser utilizada nas suas três (3) formas de estado físico: na forma de vapor, na forma líquida, quente, morna ou fria; e sob sua fórmula sólida, o gelo. O corpo como um todo, ou parte dele, pode ser tratado. A patologia para qual é prescrita, determina o tipo de hidroterapia usada e seu método de aplicação.
Em piscina, os efeitos terapêuticos são de grande importância como a temperatura da água, que relaxa a musculatura, o empuxo, que diminui o estresse nas articulações pela menor ação do peso corporal, visto que a ação da gravidade está diminuída, entre outros efeitos. Vamos tratar, aqui, de forma simples e objetiva, a hidroterapia com a água na sua forma líquida, a piscina terapêutica.
Na piscina com água aquecida (31-35°C) são utilizados, principalmente, os seguintes métodos terapêuticos: o Halliwick, o Bad Ragaz e o Watsu; mas ainda existem outros menos conhecidos, porém não menos importantes como: Waterdance, Jahara Technique, Healing Dance, etc... Dentro da piscina terapêutica, pode-se tratar pacientes individualmente ou através de jogos, onde pacientes com deficiências similares trabalham em grupo. Às vezes, a presença da família na água é importante. Quanto às áreas de atuação na piscina terapêutica, temos: a ortopedia, a traumatologia, a reumatologia, a cardio-respiratória, a gineco-obstetrícia, a esportiva, a neurologia, a pediatria, a geriatria entre outras.
Efeitos fisiológicos
Os efeitos fisiológicos da hidroterapia são semelhantes aos produzidos por qualquer outra forma de calor, porém são menos localizadas.
A temperatura da água está acima da temperatura da pele, a qual normalmente é de 33,5°C. O corpo ganha calor através das áreas que estão debaixo d'água, porém só consegue perdê-lo a partir do sangue nos vasos cutâneos e glândulas sudoríparas das regiões expostas como face e pescoço. O corpo ganha calor da água a partir da conversão de energia durante o exercício. Portanto, uma elevação da temperatura corporal é inevitável.
À medida que a pele se torna aquecida, os vasos sangüíneos superficiais dilatam-se e o suprimento sangüíneo periférico é aumentado. A freqüência cardíaca aumenta com a elevação da temperatura.
Quando o paciente entra na piscina os vasos cutâneos se constringem causando elevação da pressão arterial. Durante a imersão os arteríolos dilatam-se produzindo uma redução na resistência periférica, ocasionando a queda na pressão arterial.
Uma elevação de temperatura aumenta o metabolismo e, com isso, aumenta a demanda de oxigênio e a produção de dióxido de carbono fazendo com que a freqüência respiratória aumente.
O calor relativamente brando da água reduz a sensibilidade das terminações nervosas sensitivas.
Na pele há clareamento devido à vasoconstrição, seguido pela coloração rósea e a seguir a vermelhidão ocasionada pela dilatação. O contato prolongado com a água macera a ceratina que, por absorção de água se torna mole, espessa e branca.
Efeitos terapêuticos
O uso da água no tratamento de patologias constitui uma prática antiga e que até hoje continua tendo diversas aplicações. O corpo como um todo, ou parte dele, pode ser tratado em programas de reabilitação. A patologia para qual é prescrita, determina o tipo de hidroterapia usada e seu método de aplicação.
Os efeitos terapêuticos dos exercícios são: Alívio das dores e do espasmo muscular; relaxamento; manutenção ou aumento da amplitude de movimentação das articulações; redução de músculos paralisados; fortalecimento dos músculos e desenvolvimento de sua força e resistência; melhora das atividades funcionais da marcha; aumento da circulação sangüínea; reforço da moral do paciente pelas atividades recreacionais proporcionando a ele confiança para alcançar máxima independência funcional.
Vantagens e indicações
O calor da água ajuda a aliviar a dor e a redução do espasmo muscular; assim o paciente é aquecido durante todo o tratamento. Isto é útil porque numerosas articulações são aquecidas ao mesmo tempo em uma condição generalizada.
O relaxamento pode ser promovido em flutuação livre porque não há nenhuma pressão localizada sobre proeminências ósseas. A liberdade de movimentação em flutuação ajuda aumentar a amplitude de movimento que é difícil de superar no solo, em condições neurológicas, por exemplo.
Quando os músculos necessitam ser fortalecidos, a flutuação pode ser usada para fornecer exercícios resistidos.
A hidroterapia é indicada em circunstâncias reumatológicas (Artrites, Artroses, Osteoporose, Fibromialgia); lesões ortopédicas (entorses, fraturas, lesões ligamentares, meniscais, pré e pós-cirúrgicos); alterações posturais, cervicalgia, lombalgias; Seqüelas neurológicas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Crânío-Encefálico (TCE), Traumatismo Raquimedulares (TRM), Paralisia Cerebral (PC), Parkinson, Distrofias Degenerativas e Musculares, Hidrocefalia, Microcefalia e Distúrbios Osteoneuromusculares relacionados ao trabalho (DORT). Vários diagnósticos de caráter psíquico são muito bem indicados como por exemplo fibromialgia e depressão. Na área respiratória o trabalho na água também é apropriado.
Modificações fisiológicas durante o exercício em água aquecida
Aumento da freqüência respiratória; diminuição da pressão sangüínea; aumento do suprimento de sangue para os músculos; aumento do metabolismo muscular; aumento da circulação periférica; aumento da freqüência cardíaca; aumento da quantidade de sangue de retorno ao coração; aumento da taxa metabólica; diminuição de edemas das partes do corpo submerso; redução da sensibilidade das terminações nervosas; relaxamento muscular geral.
Desvantagens e contra-indicações
Assim como existem vantagens, a terapia em piscina também possui suas desvantagens.
Primeiramente, a instalação e manutenção são caras. Quando o tratamento é ministrado em bases individuais há limite de tempo para o paciente e profissional permanecerem na água.
Pacientes incapacitados necessitam de transporte e ajuda no vestiário o que torna o tratamento mais difícil e cansativo. Poderá ocorrer dificuldade de fixação, isoladamente ao movimento. Os profissionais envolvidos ainda devem ficar atentos à cloração da água e a disseminação de infecções. A água quente proporciona bom meio para o crescimento bacteriano, incluindo espinhas no ouvido, dor de garganta, gripes e infecções gastrointestinais. Outras infecções são transmitidas pela água tais como: febre tifóide, cólera, poliomielite e disenteria.
As contra-indicações absolutas são as infecções de pele, sendo tinea pedis e a tinea capites as mais comuns. Evidência de doença vascular periférica ou insuficiência cardíaca devem ser consideradas contra-indicação absoluta.
Pacientes com história pregressa de cardiopatia ou alteração de pressão arterial (alta ou baixa) podem ser tratados por períodos curtos com repouso freqüente entre os exercícios.
A incontinência fecal é indesejável e, a incontinência urinária pode ser tratada antes da entrada na água pela compressão manual, fechamento do cateter ou cloração aumentada da piscina.
Verrugas, feridas abertas ou úlceras podem ser cobertas por meias ou curativos oclusivos impermeáveis.
Os epilépticos não são aceitáveis, salvo se bem controlados.
Não há nenhuma razão fisiológica para que a menstruação seja considerada como contra-indicação.