Beleza é harmonia

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Que beleza é fundamental, o poeta Vinícius de Morais deixou claro, assim como o mito africano de Logum Edé, na grande festa no Orum, na qual todos os orixás compareceram com suas melhores roupas, elegância do traje de Oxum, junto ao que habitava o mato na beira do rio, tal o pescador e caçador que de fato era, inclusive nos lagos, cor laranja, altruísta, abnegado, sincero, simpático, tenso, austero, possuidor de senso de coletividade, calmo, carinhoso, desprendido, inconstante, vaidoso, sonhador no azul celeste e no amarelo combinados, apreciador do axoxó feito com milho amarelado e coco, além do omoolocun de feijão fradinho e ovos de galinha.

O fim estético do harmonizar universal traz o Arcanjo Miguel, regente de todas as hierarquias celestes, guerreiro incansável contra as forças do mal, ótimo para 2002, nos protegendo das dificuldades, nos inspirando a exercer a Justiça de Xangô, fogo vivo de Jesus Cristo, destruindo a energia negativa, eliminando nossos medos e dúvidas, dando confiança na proteção divina, fruto de nossa valentia e honestidade para com os movimentos de ajuda humanitária, responsabilidades para com o nosso próximo vegetal, mineral e animal, dissipando ilusões materiais, sobras de inferioridade, na intuição que ajuda a separar o trigo positivo diante do joio daninho, na tranqüilidade contra o perigo doméstico em face às pessoas e outros seres, no acender da vela branca, oferecendo rosas também brancas e incenso de olíbano, louvor à entidade Angélica do cristal transparente, lápis-lazúli e zurita de custódia presença.

Beleza é harmonia quando o Homem e a Mulher percebem que a sociedade moderna, impessoal, fria e funcional, já não satisfaz, com multidões imensas de seres humanos reduzidas ao trinômio CASA-TRANSPORTE-TRABALHO e vice-versa, monótono, tedioso, cruel e massacrante dia-a-dia, reforçado por meios de comunicação de massa vulgares na oferta de mercadorias para alívio de necessidades criadas por ela própria, em desprestígio a uma sede de vida mais autêntica, de relacionamento mais pleno, menos superficial, de vida em comum, da vida fraterna que preenche o coração humano vazio, fazendo valer o imenso potencial afetivo, que só o amor poderá expandir, na ternura das comunidades integradas, a partir da reforma íntima de cada um de nós, fazendo-nos solícitos do mundo real que participamos.

Tudo que fizermos na Vida surge do meu pensamento, da minha palavra e da minha atitude, sendo que o que eu pensar será matriz do que eu falar e de como eu agir. No trabalho individual de cada pessoa, pois o que pensamos, falamos e desenvolvemos na prática, tem reflexos não só aqui no plano físico, mas em todas as outras dimensões, gerando energias que se interpenetram e influenciam a tudo e a todos, como energias da mente, do verbo e do magnetismo inferior do duplo etérico, no campo tridimensional e no baixo astral, em meio dos que ajudam e dos que gostam de ver “o circo pegar fogo”, realizando prodígios e malefícios autorizados por nossa falta de evolução à luz do Pai maior.

Educador na área de ciências da humanidade e pesquisador dos cultos afro-brasileiros de Umbanda e Candomblé

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