Escrito por Rosa Maria Silvestre Santos
A psicopedagogia não pode ser reduzida a problemas de aprendizagem, seria uma dimensão ligada apenas à patologia do aprender. Nem o psicodrama ser reduzido à uma técnica, é uma teoria psicológica que investe na espontaneidade criadora.
O objeto de estudo da psicopedagogia é o processo de aprendizagem em seus padrões normais e patológicos.
Afirma Jorge Gonçalves da Cruz que a aprendizagem humana é um fenômeno complexo, encontramos nos mitos esta relação problemática do homem com o conhecimento. O mito grego do Prometheus, o de Édipo, o de Eros e Psiquê revelam o quanto somos capazes de arriscar a felicidade para satisfazer o desejo de conhecer.
Para Alícia Fernández, o objeto da psicopedagogia é a autoria de pensamento. O grande salto do aprender é a criança se permitir pensar.
A criança fala quando desenha e brinca, ela é a primeira ouvinte, é uma atividade construtora de subjetividade. Às vezes, os adultos querem traduzir a produção da criança como se fosse raio X. Na realidade esta produção não pode ser interpretada, a não ser por ela mesma, por isso perguntamos a ela: “O que você descobriu?” e nunca perguntaremos “o que você quis fazer?” porque a criança nem pode saber o que queria fazer, o resultado é sempre uma surpresa que cabe a ela decifrar para si e para o adulto.
O olhar psicopedagógico é diferente do olhar pedagógico, é um olhar para as possibilidades e não para fixar as dificuldades.
Não é importante o nome para as dificuldades, se é dislexia, discalculia, psicose bipolar, TDA ou TDAH, quanto mais sigla mais estranho e mais poder. Quando o processo de aprender tem uma doença ou um rótulo não podemos mudar mais nada, a família e a escola podem continuar sem alteração nenhuma.
Mas, quando olhamos as possibilidades e abrimos as comportas para a “autoria de pensamento”, sabemos como afirma Alícia que “quem se sente reconhecido como sujeito pensante, aprende”.
Este é nosso desafio que leva à construção do conhecimento e ao espaço do brincar. Como afirma Winnicott, “a criança desatenta é uma criança com déficit de brincar”.
Logo a psicopedagogia e o psicodrama fazem um excelente casamento porque possibilita a explosão do brincar, do dramatizar, do criar e do agir. No brincar, eleger personagens, representar, a criança expressa sua autoria, seus pensamentos, seus medos e suas alegrias. É um terreno propício para se libertar a “inteligência aprisionada”.
Psicopedagoga, Psicodramatista