Família, aprendizagem e emoções

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O sucesso escolar depende da harmonia entre a família, a aprendizagem e as emoções.

Muitos problemas de aprendizagem ou dificuldade de adaptação da criança na escola têm origem no universo familiar e nas expectativas dos pais sobre os filhos com relação ao aprender; tem a ver com valores, ideologias e os segredos do grupo familiar.

O aprender e o ensinar são funções básicas da família, desta forma os modos como a família vive momentos de mudanças, mortes, nascimentos, crises ou conflitos marcam características da modalidade de aprendizagem da criança.

O que ocorre é que na maioria das vezes, os pais realizam idealizações dos filhos, e estes vêem-se constrangidos a corresponderem, promovendo conflitos e crises no sistema familiar.

Aprendizagem é um processo em que a personalidade da criança passa a se desenvolver autonomamente e não um reflexo de um modelo que a família ou a sociedade idealiza.

Quanto maior o contraste entre o filho idealizado e o filho real, maior será a dificuldade dos pais.

Quando a família saudável se depara com uma dificuldade escolar do filho, ela respeita as diferenças individuais e proporciona um espaço para expor sentimentos e emoções, discute coletivamente os problemas do dia-dia, sem culpas, nem críticas, mas, buscando através de erros e acertos, ir se ajustando na busca de novas regras de convivência.

Se a família for rígida, prisioneira de um modelo idealizado do filho, diferente do modelo real, ela fica frustrada, vive um processo de críticas recíprocas e fica difícil cicatrizar feridas.

A família cresce quando aceita a possibilidade de viver transformações, de se adaptar a novas situações e de rever papéis e formas de funcionamento.

A família desempenha um forte papel na estrutura psíquica da criança, principalmente pelos processos de identificação, que pode colaborar para o processo de formação da personalidade própria.

As crianças de lares equilibrados são mais seguras, mais fortalecidas e com excelente espírito crítico e auto-estima.

Famílias muito autoritárias obrigam a criança a ser aquilo que ela não é, gerando insegurança, insatisfação e baixa auto-estima. Estas famílias tendem a não tolerar situações de agressividade ou ira por parte de seus filhos, desconhecem os sentidos ocultos destas manifestações e fazem com que a criança volte esta energia destrutiva para si mesma; come demais, rói unhas, machuca-se com freqüência, tem problemas para aprender, somatiza doenças, etc...

Muitos pais ficam deslumbrados por um modelo idealizado de um filho organizado, estudioso e respeitador e deixam de dar o devido valor às potencialidades artísticas e criativas que ele demonstra. Querem que os filhos desenvolvam de acordo com suas expectativas e “muito bem intencionados” esquecem a individualidade da criança e o que ela traz dentro de si.

Os filhos destes pais idealizadores sentem-se tão desvalorizados que não lhe resta outra alternativa senão desempenhar o papel de “criança-problema”.

O processo de aprendizagem não é estático, nem mecânico, é ativo. Aprender implica atribuir significado e estabelecer relações entre o que se aprende e aquilo que já se conhece.

Quando a criança apresenta falhas no processo de atribuir significados a aquilo que é aprendido, deve-se remeter a dois eixos fundamentais: a família e a própria escola.

O ambiente familiar precisa satisfazer as necessidades básicas de afeto e proteção. É na família que a criança aprende a estabelecer vínculos e se relacionar.

Para compreender uma dificuldade escolar, deve ser investigado como a criança realiza interações com a família e a escola, dentro de um enfoque sistêmico. Quando a criança fica pressionada por alto nível de exigências, por exemplo: “Na minha família só tem engenheiros, médicos, cientistas. Meu filho será um grande advogado de sucesso com um futuro brilhante”, fatalmente esta criança torna-se um ser carente e esta carência dificulta o processo de aprender, causa instabilidade, confusão, incerteza.

Quando a criança está insatisfeita, a primeira atitude é tentar compreender o que ela está sentindo. Para criança pequena a valorização dos seus sentimentos é a ajuda psicológica mais importante, pois é a base da formação de sua individualidade e a certeza de que não está sozinha.

Na dinâmica familiar o importante é compreender e aceitar seu filho, respeitar seus sentimentos e colaborar para sua individualização. É preciso abandonar a idealização e a fantasia e apreciar a criança como ela é.

Bibliografia:
Celidonio, Regina. “Trilogia inevitável: família-aprendizagem-escola”.
Kamlot, Eliane. “Família, desejo e aprendizagem”.

Pedagoga, Psicopedagoga, Terapeuta

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