A criança que não aprende: contribuições da psicopedagogia e do psicodrama

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Nada mais angustiante para os pais do que se defrontar com a situação dos filhos que não aprendem a ler e a escrever no mesmo ritmo que as outras crianças.

Primeiramente, precisamos compreender o “não aprender” dentro de um enfoque sistêmico e como uma síndrome biopsicossocial, isto é, a origem do problema de aprendizagem se ancora na família e na escola, logo precisamos urgentemente tirar o foco da criança.  A origem da dificuldade não está na estrutura individual, mas tem a ver com a rede de vínculos familiares e sociais que se entrecruzam a partir de uma estrutura individual.

A criança mostra um sintoma de que algo não vai bem. Pode ser uma forma de desviar a atenção de um casamento em crise de seus pais; o fato de ser “abandonada” pelo pai ou pela mãe; alcoolismo e drogas na família; negligência, superproteção, enfim, fatores emocionais que acabam influenciando o processo do não aprender.

Casos como desnutrição nos primeiros anos de vida; problemas de saúde; déficits de audição, visão, atraso na linguagem e na fala devem ser trabalhados, se possível, preventivamente.  Por exemplo, crianças com dois a três anos de idade, com atraso na linguagem e na fala, com um vocabulário pequeno e dificuldade de lembrar nomes e rimas são crianças de risco e necessitam de uma intervenção precoce, até mesmo para uma orientação aos pais.

A escola, precioso elemento de apoio, precisa rever continuamente a metodologia aplicada e investir na formação continuada de seus professores. Como afirma Alícia Fernández para que a criança possa aprender, nós devemos deixá-la ensinar, da mesma forma para  que aquele que ensina (professor) possa ensinar, devemos deixá-lo aprender.

Léo Buscaglia acredita que o professor precisa se transformar urgentemente em professor afetuoso, precisa colocar açúcar e afeto na sua prática, despertar o aluno para o desejo de aprender, se interessar por ele, rir, chorar, tocar, abraçar, olhar nos olhos e qualificar sua presença.

Afirma Alícia Fernández que a libertação da inteligência aprisionada dar-se-á através do encontro com o perdido prazer de aprender. Muitas vezes, uma criança precisa ser encaminhada para um psicopedagogo para resgatar este prazer, envolvendo o profissional, a família e a escola.

A Psicopedagogia aliada ao Psicodrama busca resgatar o saber que a criança tem e não se dá conta que tem e propiciar autoria de pensamento, dar espaço e voz para ouvir o que a criança tem a dizer. Através dos jogos e dramatizações as crianças elaboram suas angústias e dão novo significado aos sofrimentos, trabalhando, na fantasia, os sentimentos reprimidos e as cenas da vida real.

A Psicopegagogia busca desenvolver os aspectos sadios da família e da criança e encontra no Psicodrama, uma fonte inesgotável de recursos, porque investe no resgate da espontaneidade e da alegria e no prazer de sentir-se uma criança única, original, interessante, recuperando a auto-estima perdida pelas cobranças diante de insucessos.

Psicopedagoga, Psicodramatista

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