Fios de luz

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O fio de lã fia a minha vida

Novelos

Linhas guardadas no cesto

Enroscadas como ninhos

No fio

Lãs

Fio e caminho

O começo

A saída

Talvez a chegada

Lá dentro, histórias...

Sonhos e sentimentos

O meu fio de lã fia

Caminhos sem fim

Aquarela

Aconchego

A vida é uma trama

Entrelaçam-se

Azul da Prússia

Embaraçam

Os nós

Em desordem

A trama revela ordem

O meio

A imagem

A criança fia

O novo desvenda-se

Do fio de lã à luz...

 

Do fio de luz á vida

Neste mês de março, quero escrever sobre minhas vivências e intuições a respeito do meu trabalho com fios de lãs, feltro artesanal, tricô, crochê, tapeçaria, tecelagem, lã de carneiro, confecção de bonecas, enfim, atividades manuais que nos reportam a utilizar os “fios de luz”...

Ao longo do tempo, sinto que eles representam um caminho de infinitas possibilidades rumo a nós mesmos, na verdade, eles nos presenteiam com elementos sutis, dentre os quais o resgate da nossa própria individualidade...

O trabalho com fios de lãs ajuda-nos, a vivenciarmos a ação meditativa, a encontrarmos o silêncio, o ritmo, a harmonia interior, o Ser Criador em nós, portanto, simbolicamente eles nos remetem ao encontro de nossa essência humana.

Cultivamos o amor genuíno, o recolhimento interno, a autoconfiança, ao lidarmos com a lã de carneiro, e ao ser manuseada ela nos revela a sua musicalidade, a sua fluidez, enfim, a sua dança da paz...

As atividades com tricô, crochê, ponto cruz, dentre outras, trabalham a vontade, além de atuar na respiração e circulação do corpo de maneira dinâmica, daí o calor que sentimos, às vezes, da cabeça aos pés...

A vivência com tapeçaria convida-nos a estarmos presentes nos movimentos das mãos, e pode ser usada, como um grande recurso terapêutico, nos casos de apatia, ansiedade, e depressão (adultos e crianças). Ainda, a construção de bonecas (os), facilita a percepção pessoal e o resgate dos valores humanos. O trabalho manual nos conduz a participarmos de um ritual, devido a repetição dos movimentos básicos do costurar, tecer, bordar. Segundo Jung, psiquiatra suíço, “ao participarmos de um ritual, participamos de um mito”. O mito nos ajuda a colocarmos nossa mente em contato com a experiência de estarmos vivos, portanto, fiar, tecer, costurar, nos possibilita o contato com nossa história, com nosso mito pessoal...

Este trabalho vem sendo desenvolvido através de Projetos e Oficinas Terapêuticas para adultos e também para crianças (em escolas, empresas, e clínica).

Teça, costure, borde, transforme.

Você abre seus sentidos, que são sua janela para ver o mundo.

Permita-se encontrar os fios de luz...

“Entretanto, dizem os antigos “é com a repetição que o aluno aprende”.

Assim, o ritual compreendido no ato de tecer, como ofício, efetua o mesmo que as recitações periódicas dos hinos e preceitos religiosos, ou seja, conduz pessoas a um desabrochar da consciência”. (CRUZ, 1998)

Pedagoga e Psicopedagoga

Formação em Pedagogia Waldorf, Arte-Educação e Socioterapia

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