A nova tarefa dos pais

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Vivemos a era das incertezas, dos questionamentos e de uma busca de equilíbrio referente à arte de educar os filhos.

Dentre as perguntas sem respostas, procuramos o caminho do meio, nem a superproteção, nem o abandono, nem a permissividade, nem o autoritarismo. Inúmeros especialistas afirmam que não existem receitas mágicas, que educação de filhos é um exercício constante de afinar nossa capacidade de sentir e de proporcionar autorias de pensamento.

Alicia Fernandez afirma que os pais são os primeiros educadores das crianças e cumprem sua missão quando percebem que a criança aprende quando a deixamos ensinar, assim como os educadores ensinam quando se permitem aprender. A criança sempre tem algo a nos ensinar e desde os três anos já se reconhece pensante. Nesta mão dupla, pais e filhos aprendem lições uns com os outros.

Quando a criança cresce com espaços para autoria de pensamento, ela encontra a alegria natural, consegue se respeitar e se ver como valor e autoconfiança, de tal maneira que a noção de limite surge intrinsecamente, se ela é respeitada, ela aprende a respeitar.

Se os pais são amadurecidos, competentes e emocionalmente presentes eles transmitem valores e podem lutar contra o paradigma atual, o paradigma da competição, do consumismo, do descartável e do prazer imediato para o paradigma da cooperação e da solidariedade, da expansão da consciência e do alargamento do universo humano (viver não só para sobreviver, mas também transcender).

O que esta mudança significa para os pais? Chopra declara a urgente necessidade de que os pais assumam o papel de mestres espirituais dos filhos e acrescenta dizendo que tudo que precisamos ensinar aos nossos filhos não é diferente do que precisamos continuamente ensinar a nós mesmos. Esta é a nova tarefa dos pais.

Precisamos urgentemente extrapolar a dimensão material e nos conectar com a jornada do espírito. A origem de toda a criação é consciência pura, o bebê já nasce bem sucedido, temos o divino dentro de nós.

Diz Chopra que o bebê é puro ouro espiritual, por isso precisamos aprender, com a inocência das crianças, as regras do amor e verdade. Compreendendo estas regras torna-se possível descobrir outras formas de repreender e punir as crianças sem o modelo de ameaças e castigos.

Mas como? Chopra esclarece alguns valores essenciais para a vivência desta nova tarefa dos pais: ensinar os filhos a entender o espírito como uma realidade, uma fonte infinita de amor; acreditar que o ser é mais importante que o ter, sem pressionar para o sucesso convencional; substituir a punição pelo nosso exemplo, mostrar sinceramente o desapontamento, a zanga e a mágoa por alguma atitude incorreta da criança; colocar a presença deles em nossa vida como uma dádiva do Universo, sem expectativas ou comparações (filhos não são cartões de apresentações que possuem a missão de aumentar a auto-estima dos pais); fazer acreditar que possuem dons que podem modificar ou criar a própria vida e a dos outros; fazer acreditar que metas valiosas são as que trazem alegria, e que este é o sucesso que importa; estimular seus sonhos e confiar nos seus desejos.

Vamos pensar nisso? Que tal participarmos de uma “Escolinha” de Pais?

Bibliografia:

CHOPRA, Deepak, As sete leis espirituais para os pais, Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

FERNÁNDEZ, Alicia, O Saber em Jogo: a psicopedagogia propiciando autorias de pensamento, Porto Alegre: ARTMED, 2001.

Psicopedagoga, Psicodramatista

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