Escrito por Profª Shirlei Bernardes
Há alguns anos quando comecei a dar aulas, sentia um grande desejo de mudar as coisas, “talvez a forma da educação”. A minha angústia naquela época era porque já sabia que a qualidade no resultado da educação estava diretamente ligada à qualidade da ação e ao conhecimento dos professores. Os recursos materiais são de grande valia no processo, mas, sem ação e conhecimento dos professores, tornam-se sem valor. É quase impossível falar de uma boa educação se for mantida a mesma base que está sendo dada à formação do professor. Enquanto um executivo entende nas entrelinhas as necessidades de seus clientes, a grande maioria dos professores não consegue entender as necessidades básicas de seus alunos mesmo convivendo com eles anos e mais anos.
Normalmente ao assistir a uma aula ou ler um livro, a matéria que você supostamente deve aprender apenas lhe é apresentada e, em geral você precisa descobrir sozinho “como” aprendê-la. Em outras palavras, você é exposto à informação ou a matéria a ser estudada, mas, não lhe dizem “como especificamente” aprendê-la.
Por exemplo, muitos professores não aprenderam realmente como fazer aquilo que esperam das crianças que estão ensinando. Eles enfatizam “o que” aprender em vez de “como” especificamente, aprender de maneira mais fácil e eficaz. Eles não têm paciência, motivo pelo qual as crianças aprendem mais com o computador, que tem paciência e nunca faz as crianças se sentirem mal, como é o caso de muitos professores.
É preciso saber que o professor é o agente propulsor da ação de aprendizagem.
E é disso que tratamos em PNL na arte de educar.
Mais importante que o conteúdo, é ensinar ao aluno a descobrir e confiar em sua habilidade de aprender. É colocar o aluno num estado de aprendizagem tranqüila e alerta e ficar neste estado enquanto estiver aprendendo. Começar a partir de um estado de conforto e confiança é diferente de começar a partir de um estado de medo. Ensinar ao aluno a aprender a visualizar. Esse é o processo de aprender a aprender.
A PNL mostra que se o professor passar algum tempo desenvolvendo habilidades visuais, auditivas e cinestésicas das crianças para que elas possam usar todos os sentidos, quando começar a ensinar palavras, elas aprenderão com facilidade.
A PNL nos proporciona capacidade para desenvolver os canais representacionais de comunicação e aprendizagem que é o primeiro passo para o desenvolvimento das nossas habilidades em conhecer a real necessidade dos alunos. Com esse conhecimento, se aprende a desenvolver o mais alto nível de observação e o chamado: “prestar atenção”, algo tão raro entre alunos e professores. Isso ocorre através do processo de espelhamento, onde se observam os canais representacionais: visual; cinestésico e, auditivo. Devem ser levadas em conta as expressões faciais, a postura, os movimentos corporais, os gestos, as qualidades vocais, as frases repetitivas. É importante desenvolver a capacidade de: perceber, avaliar, expressar e controlar emoções, tais como: medo, raiva, motivação e entusiasmo.
Com essas técnicas a PNL nos dá ferramentas para aprender a preparar a mente para novos aprendizados.
Outro fator muito interessante é que aprendemos a estabelecer harmonia entre nós mesmos e nossos alunos e a isso chamamos de Rapport – A arte de gerar empatia. Antigamente a empatia era estudada como uma composição genética, a pessoa já nascia empática ou não. Mas através da PNL já se sabe que a empatia é uma matéria que se estuda e que se aprende como qualquer outra. Esse é um fator determinante para um bom resultado entre professor e aluno. “Você já viu um aluno se dar mal em uma aula onde ele tem um bom relacionamento com o professor?”
A memorização, um dos grandes problemas enfrentados por crianças e adultos, é muito importante. A PNL desenvolveu uma estratégia de estudo e leitura. Aqui, você irá identificar a deficiência no aprendizado e descobrirá onde está o recurso; como desenvolver atenção e concentração; desenvolver habilidade de rapidez na leitura e, aprender “disciplina, atenção e comprometimento”.
Todo processo ocorre através do contar estórias a partir da observação no comportamento, nas atitudes e nas sensações das pessoas.
Resumindo, PNL na educação tem como objetivo: que o professor exercite com mais freqüência os três canais; que ele tenha paixão por tudo que faz e principalmente pelo novo; que aprenda a prestar atenção no momento presente; que aprenda a ouvir, refletir e depois questionar; que fortaleça a auto-estima e, desenvolva congruência; que aprenda o verdadeiro conceito do amor e da felicidade; que reconstrua sua vida e seu profissionalismo como obra de arte; que transforme desejos em resultados; que aprenda a manter o autocontrole através do relaxamento; que se liberte dos maus hábitos e dos conceitos do “sei tudo, não preciso de mais nada”; que aprenda qual é o canal representacional de cada aluno; que ele descubra as coisas que o aluno sabe, sem focar-se nas dificuldades para justificar o não aprendizado; que desenvolva o bem estar emocional próprio e o do aluno; que aprenda a manter seu aluno em sala de aula; que aprenda que cada aluno é diferente e que é possível atender a necessidade de cada um individualmente dentro da sala de aula; que aprenda que ele (professor), é a pessoa mais importante do mundo para o aluno, por isso é necessário agir de modo que todos o amem e o respeitem e, aprender que grande mesmo é aquele que é amado e não o que é temido.
Tenho certeza de que os professores podem se tornar ainda melhores, como: pessoas, amigos e profissionais extremamente comprometidos e felizes desde que aprendam que a responsabilidade sobre o desenvolvimento do aluno está em sua própria capacidade de executar seu trabalho e no tamanho de seu conhecimento, desde que acreditem na possibilidade de uma educação decente para todos, desde que reconheçam a necessidade de desenvolver o amor e entendam que o ser humano é composto de corpo, mente e espírito e, que despertem esse enorme gigante que há dentro de cada um e, que reconheçam tudo isso em si mesmo e em seu alunos.
Master Practitioner e Trainer em Programação Neuro Lingüística