Escrito por Annelvira Gabarra
“Somente no reino da arte, que brota do impulso do brincar, o Homem se converte em um ser livre, pois só aí o Homem pode mover-se livremente”.
Schiller
“A alma humana através dos sentidos físicos, tal qual mensageira, vai e vem atravessando a ponte do arco-íris, ligando o Eu e o mundo”.
Não sei de quem é esse último pensamento, mas há muito tempo é meu também, incorporou-se a mim e tornou-se uma realidade concreta.
As cores do arco-íris nos redimem, nos fazem reviver, acordam nossa sensibilidade embotada pelo corre-corre frenético de cada dia e talvez, também, de cada noite.
Estamos sempre correndo, muitas vezes nem mais sabemos por que, e isso já se tornou um hábito, um mau hábito.
O que podemos fazer para interromper esse estado de agitação, às vezes de medo, raiva, tristeza, desânimo, insegurança, etc, etc, etc?
A busca da harmonia e equilíbrio deve ser priorizada, o que encontramos pela consciência desperta, pois o equilíbrio é sempre criado pelo Eu, pela vontade que se manifesta.
Começando pela respiração, inspirando e expirando conscientemente, profundamente, já estaremos dando um grande passo e propiciando também uma melhor oxigenação sangüínea.
Atuar em plenitude consciente significa encontrar-se (a si mesmo) na ação prática. Ao caminhar, sorrir, fazer as tarefas com atenção plena, conscientemente, seremos capazes de compreender o que acontece ao nosso redor e conosco também.
Sentimentos e emoções estão diretamente ligados ao nosso Sistema Rítmico: circulação e respiração. Os ambientes da natureza, assim como a pintura, atuam sobre a respiração, sobre tudo que é rítmico.
Ao recriar a natureza a partir dos elementos terra, água, ar e fogo, a pintura realiza um caminho pelo qual se vivencia sempre a totalidade. As imagens devem ser desenvolvidas a partir de superfícies coloridas em metamorfoses de cores e desta maneira, a forma se desvenda, é desencantada.
O colorido do mundo penetra em nossa alma como um movimento libertador.
Despertamos... e encontramos cores;
Adormecemos... e penetramos nas trevas, enquanto nossa consciência se extingue.
Nós vivemos em um espaço colorido e é a qualidade da cor que determina a distância e a situação que se apresenta.
“A pintura, que nos fornece as imagens do mundo, age como uma força que plasmando e fertilizando o fluxo das sensações, faz crescer o corpo e a alma do ser humano, como uma chuva fraca faz crescer tudo na natureza”.
“Ela confere resistência e coragem à vida das sensações, dos sentimentos e a dirige através da beleza em direção às coisas, aos seres exteriores, a nós mesmos, em direção ao nosso meio ambiente atual”.
“Nossa faculdade de nos ligarmos com compreensão e amor ao mundo depende de nossa capacidade de criar imagens de gente, de coisas, de ocorrências”.
Margareth Hauschka
Terapia Artística