Escrito por Lilian de Almeida Pereira
As mãos revelam infindáveis segredos em suas formas e gestos, pois através delas construímos nossa experiência de ação no mundo.
Um aperto de mão, um desenho, um bordado, uma brincadeira...
Nossas mãos captam do mundo diferentes temperaturas, texturas e sentimentos, além de nos proporcionarem o resgate da sensibilidade humana.
Para o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.c.), a mão era considerada a “ferramenta das Ferramentas”, ela é o grande órgão executor de nossas vidas. Segundo o médico neurologista do Hospital Albert Einstein de São Paulo, João Radvany, as mãos, ao lado dos olhos e da boca, são as partes do corpo que têm a maior representação no córtex cerebral. ‘’E quanto mais o homem usa esses órgãos, mais essas áreas cerebrais se expandem”.
As atividades artísticas e manuais, como: pintura, modelagem, jardinagem, e aquelas que utilizam fios nas mais diversas modalidades (macramé, tricô, crochê, tecelagem), possibilitam às crianças estarem conectadas com o mundo e consigo mesmas, ressaltando que ao aprenderem com o corpo, jamais esquecem tais atividades. No entanto, torna-se imprescindível, agilizar as mãos e os dedos desde a infância, para que haja um desenvolvimento sadio infantil. Ao construírem com suas próprias mãos, elas ativam seus potenciais e incorporam alguns valores essenciais à vida.
É importante destacar alguns objetivos fundamentais ocorridos nestes processos:
- Desenvolvimento da autonomia;
- Autocapacidade de realização;
- Aumento da atenção e da concentração;
- Ampliação do raciocínio lógico;
- Maturidade Física;
- Autoconfiança;
- Flexibilidade de Pensamentos;
- Auto-suficiência;
- Respeito e compreensão pelo trabalho alheio;
- Aprimoramento da coordenação motora;
- Desenvolvimento da organização espacial;
- Gratidão;
- Segurança;
Estas atividades desenvolvidas de forma terapêutica, contribuem para os problemas de aprendizagem, possibilitando crescimento criativo, cognitivo, afetivo e mental.
”É preciso ativar as mãos, como instrumentos terapêuticos em suas inúmeras possibilidades de execução, pois a cada transformação externa com os materiais expressivos, analogamente são geradas transformações internas. E neste universo de mãos e materialidade, construímos nossa autonomia expressiva e ativamos nosso processo criativo, e deste modo estas mãos são instrumentos potenciais de germinação e construção”. (Ângela Philippini)
Pedagoga e Psicopedagoga