Editorial

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CapaJul10

Meu Deus do Céu, estamos escrevendo antes do resultado da Copa. Antes do jogo com Holanda. Isto quer dizer que estamos muito ansiosos e que não sabemos, ainda, se vamos ganhar a Copa, embora saibamos que o Brasil é sempre o melhor e poderia ter ganhado de todos, se quisesse.

Já ouviu esse discurso antes? Certamente. Eu ouço em todas as copas, vem da boca de várias pessoas e eu penso que o brasileiro é danado de otimista. É um pouco prepotente, também. O brasileiro se acha...

Acha que tem o melhor Carnaval do mundo, as mulheres mais bonitas, um senso de humor danado, um futebol do caramba. Acha que vai dar um jeitinho em tudo. Acha até que Deus, imagine só, é brasileiro. O próprio Deus!

Ser otimista é até bom, mas demais pode dar problemas. Pode dar preguiça. Já que tudo um dia dá certo, para que se mexer, meu rei. Pode gerar dependência.Vamos ficar por aqui mesmo, não é? Alguém vai aparecer e ajudar.

Recebi um e-mail, que elucida bem isto. No Ceará, houve um curso para 500 mulheres que usufruíam do Bolsa-Família. Curso de formação para costureiras. O Governo entrou com recurso, o Senai entrou com a formação e o Sinditextil com a proposta de cadastrar as mulheres para que fossem contratadas por empresas. Resultado: as mulheres não quiseram ser contratadas, pois não queriam perder a Bolsa-Família e perderiam se tivessem registro em carteira. Não houve contratações e ponto.

Daí que o Governo se beneficia e muito com uma caca dessas. O povo não evolui. Evoluir para quê. Afinal, o que é evoluir mesmo?

Eu conto. É transformar. O que é transformar?

Eu conto. É passar de uma estado para outro. É modificar-se. É mudar de forma.

É jogar futebol muito e bem, pela Pátria e por si mesmo. Por retidão e vergonha de perder, já que se joga tão bem.

É lançar mão dos próprios recursos para vencer na vida. Ser costureira contratada no Ceará pode ser uma boa, um começo bem dos bons.

É ficar de olho: O que pode parecer benefício pode não ser. Pode ser armadilha, ardil, que são palavras símiles.

É também, buscar novas formas de sermos conhecidos. Ser bom na educação, ser bom na área da saúde.

Que tal ser bom na área dos políticos. Manchete assim: Brasil e seus políticos íntegros e preocupados com o bem estar do povo?

Bem, daí já é exagero. Só mesmo se Deus for brasileiro.

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