Escrito por Alumiar
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Além dos desenhos feitos no chão batido ou nos sacos de embrulho que se foram no tempo, ficam da infância vários registros: as peladas, os circos, os espantalhos, as gangorras, os balanços, as pipas...
Das lembranças tristes: os despejados; pessoas que chegavam franzinas em Brodósqui à procura de trabalho e comida, serão mais tarde transformados com toda ênfase expressionista nas maravilhosas telas – Retirantes, Criança Morta, Enterro na Rede.
No cultivo da terra mostrando os corpos fortes dos negros, além do cacau, algodão, milho, cana, vamos encontrar a grandiosidade da colheita do café, sua representação maior, uma cena completa com vários momentos dessa operosidade coletiva. Pés e mãos são enfoques nessas duas fases: tão fracas nos Retirantes tão fortes e significativas no Café.
Ainda nas obras, Ferro, Garimpo, Borracha, Gado, Pau-brasil, representando a economia do país, a figura negra é um referencial na produção da riqueza nacional.
Os vários e “infinitos” retratos, ou seja, “de Carlos Gomes a Olegário Mariano”, foram um perfeito exercício para as grandes obras que vieram posteriormente.
Clássico? Moderno? Copista? Criativo?
São vários os questionamentos dos críticos com relação às suas obras.
Os santos são representados na capela de sua casa demonstrando o grande carinho por sua avó. Isso é um fato!
Na Pampulha (BH) a Via Sacra em estilo cubista e no painel de fundo a representação de São Francisco com seu “cachorro sem dono”.
Religioso? Nunca o assumiu.
Da nossa história, Portinari, procura soluções abstratas com interesse em contar Tiradentes do início até o esquartejamento, em retratar a Primeira Missa com todos os detalhes e, mostrar seu desenho no Guerra e Paz fazendo um balanço desse ser humano contraditório que pode escolher situações arbitrárias.
Está no homem o seu interesse e não no procurar um estilo próprio.
De acordo com os críticos, poucos foram os momentos em que Portinari se libertou da preocupação naturalista reinventando a figura humana. Sua visão aponta sempre para o aprofundamento do tema surgindo em muitos casos a intensidade dramática tentando conquistar uma imagem moderna.
Gerar espaço, cor, formas é muito mais um desejo de atualização do que aprofundamento artístico.
Impossível uma proposta européia moderna no contexto brasileiro, não por preconceito ou discriminação como muitos fazem. A proposta de Portinari é real para o seu tempo, sua estrutura e identidade com seu país.
Para um menino de pé no chão, simples como suas figuras, que viu um outro mundo com o passar do tempo, precisaria talvez ter vivido um pouco mais, registrado mais ainda, para poder buscar essa iconografia nacional e conseqüentemente ter visto mais signos sociais e culturais como bom expectador que era.