Arte e arteterapia

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Há muito, sabemos que a vida sem suas partes lúdicas não nos leva a quase nada, se não ao tão falado estresse do dia-a-dia e muitas vezes à depressão. Para imaginarmos isto melhor, sempre digo aos meus alunos para que imaginem suas noites sem um televisor, ou sem um rádio, seus finais de semana sem um cinema, mesmo com direito a pipocas e refrigerantes, e na decoração de suas casas, as paredes absolutamente nuas. Terrível, não seria mesmo? Pois é. De forma indireta estamos falando do poder de Arte e sua circunstancial e poderosa existência. A música e as imagens são as formas mais diretas da percepção, desta forma lúdica que tanto incorporamos em nossos dias. A terapia pelo uso da cor, a escultura, a colagem ou a pintura são realmente bálsamos para os deprimidos e ansiosos. Há mudanças radicais no comportamento de pessoas deprimidas e com quadro de depressão aguda ou crônica, seguidas de ansiedade, pânico e desordem mental. Segundo pesquisas realizadas em diversos países, desde que os indivíduos começaram a utilizar mais o hemisfério direito do cérebro, houve profundas diferenças entre o antes e o depois. A ARTE tem um compromisso quase que estético com quem a produz. Existe um namoro, um flerte entre o “artista e sua obra”. Ele quer fazer bonito, busca a perfeição, os detalhes (não importa esteja ele na Escola expressionista, clássica, impressionista, surrealista, moderna, etc...) Na ARTETERAPIA a coisa muda um pouco. Não há flertes entre o pintor e sua obra. A ARTETE-RAPIA trabalha com o simbólico, ou seja, com imagens simbólicas que ordenam e dão significado às nossas vidas.

Um símbolo é uma forma de energia psíquica e esta energia se manifesta através de imagens. Os símbolos são difíceis de verbalizar, porque eles se expressam por analogias, por metáforas. O processo simbólico precisa da Imagem para que os conteúdos inconscientes sejam trazidos para o consciente. Isto permite que das pessoas espontaneamente jorrem mananciais ocultos criativos.

Bem, expressar-se de uma maneira ou de outra, fará com que elas vivam plenamente através de um processo de Individualização.

O processo de Individuação é, segundo Jung, a capacidade que cada pessoa tem de tornar-se si mesma, inteira, indivisível e distinta de outras pessoas.

Assim, mesmo uma Dona de Casa que se frustrou há anos pelos serviços domésticos, uma secretária que se anulou pelo seu trabalho, nem mesmo sabendo de que lado conduzia sua vida, um alto executivo com um salário Top de linha, mas um eterno deprimido, podem vir a se conhecer internamente. Sofrer a individuação. Sem necessariamente largar suas ocupações. A arte apenas acrescenta, nunca subtraí.

Quando pintamos, esculpimos ou estamos criando, o tempo passa mesmo a ser absolutamente relativo para nosso lado consciente. Esquecemos do relógio e de nossos compromissos. Chega a ser desagradável parar. Sentimos uma quebra sinuosa entre deixar um pincel de lado e irmos para o carro dirigir, ao supermercado, ao caixa 24 horas ou a outro compromisso banal.

De qualquer maneira, esquecer as horas de tédio, as depressões e ansiedades que acabam por minar o organismo são o melhor remédio para começarmos a nos individualizar. E o primeiro passo para isto pode estar na arte e na arteterapia.

Com ela nos tornamos únicos, homogêneos e estamos, mesmo brincando, trilhando o caminho do Autoconhecimento.

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