Escrito por Mariza Helena Ribeiro Facci Ruiz
Fui assistir ao Filme “O Palhaço”, com direção de Selton Melo, estrelado por ele, pelo genial Paulo José, com participação de gente muito boa, inclusive de Moacir Franco, que nunca trabalhou no cinema e que faz uma ponta incrível.
O filme conta a estória de uma troupe circence, de um circo muito pobre, cujo nome é “Circo Esperança”.
Todos que participam do espetáculo são muito interessantes, mas os dois personagens principais são os palhaços Valdemar e Benjamin, Puro Sangue e Pangaré, que são pai e filho. Benjamin, o filho, está em crise de identidade, não tem CPF, nem RG, só tem certidão de nascimento. Ele faz as pessoas rirem no palco, mas se questiona: “eu faço as pessoas rirem, mas quem me faz rir?” Ademais é muito requisitado para resolver os problemas do circo desde os de ordem administrativa até os mais banais (o soutien grande da estrela que precisa ser substituído). Benjamin está cansado, parece que lhe falta fôlego para continuar. Não é por acaso que ele deseja comprar um ventilador e que fica fixado em todo ventilador que vê. E por aí vai a estória. Não vou contar como acaba. Vou dizer o quanto gostei.
O circo se apresenta em cidades do interior de Minas, muito pobres, onde as pessoas se vestem mal, falam mal, ouvem música absolutamente brega, mas se deliciam com a magia, com a delicadeza dos palhaços. Gostei da breguice. Gostei de ficar inteirada desse lado regional tão rico e interessante.
Adorei os palhaços. Sabe como é: palhaço faz sempre a mesma graça e a gente ri. Deve ser porque voltamos a ser crianças. No mundo dos palhaços é possível ser simples, é possível a ternura. No circo a criança vem à tona. O adulto deixa de ser sério e enfatuado. No Circo Esperança as graças são corriqueiras e deliciosas, os palhaços quando entram no palco com suas cores muito fortes tudo iluminam. A gente se sente como quem olha por aquele troço cilíndrico chamado caleidoscópio onde há infinitas possibilidades para a fantasia pura e sem compromisso. Aliás, o filme começa com figuras de um caleidoscópio. Faz a gente pensar que tudo é possível.