Escrito por Graciette Borges da Silva
Diretor: Majid Majidi. Irã, 1999. Premiado em festivais de Montreal e Gijón. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Drama.
Mohamed, órfão de mãe, é uma criança cega, que aguarda o pai buscá-lo na escola, onde é aluno interno, para passar as férias em sua casa, na zona rural, com as irmãs e a avó, que o esperam ansiosas.
O pai demora muito a aparecer e, quando aparece, em uma escola já vazia, pede ao professor que deixe o filho ficar, o que é impossível... O tema da solidão dos diferentes e da rejeição paterna ao filho deficiente visual é tratado durante todo o filme através de inúmeras cenas, envolvendo acontecimentos diversos: a longa espera a que submete o filho, a ausência de diálogo, de carinho: a sua recusa a que o filho frequente a escola das irmãs que podem ver; o envio dele a uma carpintaria, às escondidas da avó e contra a própria vontade, para ser aprendiz de um carpinteiro também cego. A ausência do neto transtorna a avó, que acaba por adoecer e morrer. Essa morte, vista como um sinal da mau agouro, leva a família da noiva do pai de Mohamed, Hashem, a desmanchar o casamento já marcado. É a vez de ele entrar em desespero, amaldiçoando o seu destino. Hashem decide buscar o filho de volta, como uma tentativa, talvez, de remissão de culpa. Na viagem de regresso, um rio caudaloso, uma velha ponte que cai, sob o peso do cavalo montado pelo menino. Nas cenas finais, um corpo de criança estendido na areia, seus dedos que se movem em direção ao céu, simbolizando seu derradeiro apelo a Deus, fazendo com que relembremos o que seu professor lhe disse para consolá-lo: "Deus não é visível. Ele está em toda a parte. Você pode senti-lo com seus dedos" e a resposta de Mahomed: "Agora procuro Deus em toda a parte até o dia em que poderei tocá-lo e contar tudo a ele". Um filme belíssimo: linda fotografia, belas imagens-símbolo. Comovente!...