Os Engobes

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Técnica milenar, usada na decoração das peças cruas de argila com a pré-secagem, que possibilita a gravação antes da queima. As vasilhas quando em ponto de couro, são arranhadas para melhor adesão da pasta que vão receber e que deve ser de coloração diferente. Essa pasta é a própria argila amolecida com água aplicada como uma pintura comum. Depois polida para que se fixe melhor. Com duas ou três camadas faz-se a cobertura que ao enxugar permite ao artista desenhar ou gravar com uma ponta seca. Por este processo, a primeira camada é arrancada deixando aparecer a de baixo em outra cor. Esse método deu margem a criatividade e os povos usaram e ainda usam hoje em dia com belos resultados. Hoje com mais recursos quando acrescidos de óxidos. O homem neolítico foi profundamente religioso, quando nasceram as tradições decorativas de origem ritual que se mantiveram durante muitos séculos. Essas decorações e desenhos são ainda muito usados, mas sem o simbolismo ritual e mítico. Ao observarmos uma cerâmica do período pré-histórico não podemos incorrer no prejuízo estético de julgá-la de acordo com nossas pautas culturais, pois o homem primitivo não fazia as coisas de maneira aleatória, a tudo dava um sentido, um significado dentro do seu conceito, tempo e lugar. Quando essa superestrutura religiosa perdeu seu sentido original a ornamentação se manteve por tradição ou hábito; esvaziando sua significação plena, passando a ser mera ornamentação: - vazia e sem sentido. Nascia assim a ornamentação e o desenho puramente técnico e formalista. A cerâmica de cada tempo deve ser olhada com os olhos de sua época. Os nossos engobes hoje são usados de maneira ornamental num ritmo repetitivo e simplificado. Apenas a técnica permanece.

ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto

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