Escrito por J.Yanni
Quando os exploradores do estanho, provenientes da Ásia, invadiram a Europa por volta de 2000 A.C., seus portadores introduziram o bronze junto com a cerâmica, numa verdadeira interação. Os mesmos modelos eram repetidos em ambos os materiais, como uma dialética que se dá em todas as coisas humanas. O período áureo e exclusivo da cerâmica cedia espaço ao metal, sem deixar de reinar até nossos dias, como o mais criativo de todos os materiais. Com a descoberta dos metais a cerâmica permitiu a invenção da metalurgia e por sua vez beneficiou-se dela com a invenção dos esmaltes. Da competição entre as duas gerou-se grandes descobertas e o comércio determinou um aumento quantitativo da produção de vasilhas nas sociedades com elite compradora. (Templos e Palácios) O metal e as artes frígias competem com as artes da terra. As vasilhas eram de estanho esmaltado até o aparecimento da porcelana quando a cerâmica branca volta a reinar. Hoje temos nas mãos esmaltes raros com fórmulas altamente sofisticadas capazes de satisfazerem aos mais diversificados caprichos quanto à qualidade, resistência, beleza nas indústrias de utilitários, decoração sem falarmos no desenvolvimento no terreno da odontologia. Os artistas que como Francisco Brennant utilizam-se do barro com a conhecida e admirada competência, têm a sua disposição uma tecnologia ano 2000 D.C. Penso, como ele também deve pensar quando executa o seu trabalho cerâmico (o mais perfeito e bonito do mundo), na trajetória de tantos milênios; que essa arte ia ser tão representativa para ele e para nós que nos orgulhamos de seu trabalho. Da primeira figurinha tosca do Paleolítico às obras de Brennant o barro reina absoluto.
ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto