Escrito por J.Yanni
Muito conhecida no Brasil, quando há mais ou menos 50 anos as tubulações de esgotos eram as chamadas manilhas de barro que tinham uma coloração marrom escura brilhante por dentro e por fora. Era uma impermeabilização conseguida através do sal (técnica milenar). Há notícias de que os chineses a usaram por volta do ano 500, mas só apareceu na Europa no século XII, na Alemanha. A chamada cerâmica de sal comum NaCI, ainda é usada em países europeus e nos EE.UU. no preparo de esmaltes salinos, em fornos especialmente usados para queimar esse tipo de cerâmica. Estando o forno quente a elevadíssimas temperaturas, se introduz cloreto de sódio por comportas abertas em posições favoráveis ao trabalho, geralmente pelo teto. O sal se volatiliza imediatamente aderindo às paredes das peças em forma de biscoito produzindo lindos e rústicos esmaltes muito usados antigamente para jarros de vinho, azeite, nas tabernas de estrada. As peças ficam esverdeadas se tratadas antes com óxido de cobre. Funde a 800 graus o que é considerado uma queima baixa. São incolores, transparentes e muito brilhantes. É uma queima rústica e de baixo custo por isso foi durante muito tempo usada para manilhas e ladrilhos. Alemanha, Espanha, e alguns países europeus conseguiram lindos efeitos de arte cobrindo o biscoito com desenhos em barro colorido antes de submeter as peças à queima de sal. O mundo cresce qualitativamente a níveis que se elevam e o caminho da cerâmica não pode se equivocar. Cresce cientificamente, colocando o ceramista frente a fórmulas previamente preparadas e colocadas à venda acompanhadas das instruções de uso. Isso anula o seu conhecimento científico que o levaria a descobertas novas e únicas. É quando o ceramista estaria apto a atingir caminhos que o levariam à arte. Há mais arte na lírica cerâmica do povo, que no trabalho burguês de fórmulas prontas, por um caminho equivocado; sem nenhuma penetração científica ou fundamentado num sadio conhecimento da essência do material. Há muito poucos ceramistas, infelizmente. Talvez por isso nos esbarramos às vezes em críticos que generalizam: - “cerâmica não é arte”. Também não há razão para serem tão simplistas... Isto é um longo assunto. Trataremos em outra ocasião.
ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto