Escrito por JairYanni
O neolítico é a idade da cerâmica. Nesse longo período difundiu-se universalmente o uso do barro cozido. Em épocas mais antigas o homem armazenava seus alimentos em poços cavados no chão revestidos de argila que os tornavam impermeáveis. Para endurecer esse revestimento, faziam antes um fogo com gravetos de lenhos em seu interior. Esse hábito primitivo chegou a ser recurso inclusive no Brasil quando implantada a cana de açúcar. Faziam poços idênticos para derramar o melado que endurecido iria formar o torrão chamado então - pão de açúcar. Acredita-se que a origem do nome do morro carioca seja devido ao formato do torrão, adquirido no poço argiloso. Desde os tempos mais primitivos a argila queimada ou não, aparece entrelaçada à vida do homem não só para fins técnicos ou artísticos como também medicinais. Foi usada como cataplasma, untava feridas, como antiinflamatório e até como purgante Existem minas de argila com poderes terapêuticos estéticos. Características do primitivismo ainda adotado entre os homens da nossa cultura atual. No período neolítico, com a fixação do homem à terra, surge a vida em sociedade, com isso a diferença de classes. Insinua-se: - a separação do homem com respeito ao sexo oposto, - os agricultores dos artesãos, - os que mandam dos que são mandados, o abstrato do concreto. O homem abre-se para um mundo sem travas, com grandes perigos, mas sem limitações. Esses conceitos relacionados também com a religião, trazem as primeiras manifestações artísticas; vão mais além e vem influenciar toda a história da cerâmica até os nossos dias. Há um conceito de que a arte cerâmica é feminina ou a arte é feminina. Começou pelas mãos das mulheres. Isto porque até o neolítico, o homem e a mulher tinham direitos e obrigações similares. Ela era rude e guerreira como eles. Com o período sedentário a mulher ficou com as atribuições mais leves na prática de tarefas menos perigosas. Vale conferir, pois nas cerâmicas encontradas no antigo Egito, as gravações mostram figuras masculinas na modelagem e no desenho dos vasos. A arqueologia tenta explicar através da cerâmica esse trajeto histórico. Os mitos religiosos surgem e com eles a idéia de que Deus criou o homem de um pedaço de argila. Adão teria sido modelado por Ele. Vejam que a arte cerâmica gozava de enorme prestígio; digna dos Deuses. Não há naturalmente comprovações arqueológicas.
A mitologia começa a influir nos fundamentos cerâmicos. Muitos povos primitivos atribuem sua descendência mítica a uma planta ou a uma flor; a flor de lótus, a maçã, a cabaça, o bambu, o junco, aparecem nos desenhos das peças cerâmicas mostrando que a arte humana nesses desenhos não era apenas decorativa. O homem neolítico já falava por símbolos e num sentido de todo. Trazia uma mensagem cósmica e mítica no seu intenso sentir. Do tradicional vasilhame o homem já mais espontâneo e confiante em função dos movimentos naturais das mãos, em interação com o material, começa a criar formas em seu trabalho, juntando a ARTE à função. Na cultura neolítica européia, ou da Finlândia ao Cáspio a arqueologia mostra as manifestações artísticas características de cada região através dos seus precisos esquemas decorativos. Ao contrário das outras artes, na cerâmica o desenho acontece depois. Vem primeiro o tridimensional. O trabalho volumétrico precedeu ao desenho gravado, ou ornamentado; o escultórico ao gráfico. Peças engobadas e gravadas, revelavam a especialidade dos artesãos que gravavam os primeiros sinais de arte da humanidade.
ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto