Escrito por J. Yanni
Dada à carência de confirmações arqueológicas, não é fácil historiar o processo da invenção dos esmaltes cerâmicos. Sabemos ou imaginamos que tenha sido a partir da idade do bronze quando a metalurgia e a mineração primitiva dos metais, somaram-se aos conhecimentos cerâmicos. Não podemos nos basear em biografias visto que os arqueólogos apesar de nos oferecerem ricas informações, ignoram conhecimentos de técnicas cerâmicas, e os materiais que entram em sua composição; contudo é inegável que sua origem tenha íntima ligação com a invenção da fundição do cobre metálico. O descobrimento da metalurgia transformou o mundo daqueles povos. Economicamente, pelo comércio dos objetos metálicos, pela riqueza que proporcionavam; como também politicamente, devido à sua superioridade bélica como conhecedores do metal. Óbvio que o processo de obtenção, antes rudimentar acelerou-se. Do método de martelado passaram ao fogo a fim de amolecê-los e aglomerá-los; posteriormente ao forno, a um passo do processo de aperfeiçoamento. Da necessidade à casualidade chegou-se à conclusão de que ao fundir-se os metais no forno, seus minerais exalavam os vapores de óxidos que aderiam às paredes cobrindo-as com uma camada vítrea colorida. A princípio verde azulada quando usavam bórax para facilitar a fusão dos compostos de cobre. Não é preciso explicar os caminhos e o tempo que esses homens percorreram para chegar-se à descoberta dessa gama imensa de cores de que hoje nos utilizamos na fantástica invenção dos esmaltes cerâmicos. Hoje quem vê a beleza dos ornamentos de barro, a grandeza da indústria de azulejos e seus derivados, não imagina há quantos milhares de anos isso vem se processando. E pensar que a fundição do cobre foi conseqüência da invenção do esmalte, leva-nos também a pensar no tempo percorrido. A primeira peça esmaltada de que se tem notícia foi o esmalte egípcio de sódio e cobre, nos começos da era dinástica (3.100 anos a. C.). Os primitivos metalúrgicos foram incansáveis exploradores de minerais. Na busca do cobre – estanho, ouro, eles arrojavam-se a lugares sumamente difíceis. Submetiam esses metais a todas as provas e os reconheciam através de sua aparência, dureza sabor, peso ou resistência ao vinagre; único ácido até então conhecido. Para outras provas era inevitável o uso de fornos e cadinhos de argila: a premissa necessária para que se pudesse fundi-los. Com isso a cerâmica beneficiou-se enriquecida pelo esmalte.
ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto